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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Será que a Rússia e China estão alterando a ordem mundial?


A Rússia e China pretendem rever a ordem mundial, formada nos últimos 70 anos, declarou o vice-ministro da Defesa dos EUA, Robert O´Work, ao intervir no Conselho Americano para Relações Internacionais.

Nas suas palavras, a tarefa de Washington consiste em convencer-se de que Pequim e Moscou não irão usar a força para garantir os seus interesses.

O vice-ministro da Defesa dos EUA está preocupado com o fato de os dois países reforçarem suas posições ao lado de suas fronteiras – a Rússia no oeste e a China – em mares adjacentes. “Devemos dispensar atenção especial a essa circunstância. Temos de determinar ao nível estratégico como iremos trabalhar agora com duas potências regionais muito fortes”, assinalou O´Work.

“A Rússia e China gostariam de alterar alguns aspetos da ordem mundial, formada após a guerra. Mas esses países devem conhecer que os EUA podem responder com métodos militares à ameaça a seus aliados”, apontou o vice-ministro.

O que subentendia o funcionário americano referindo-se à alteração da ordem mundial? A América havia utilizado seu domínio econômico após a Segunda Guerra Mundial para reforçar sua influência no mundo. Ao mesmo tempo, até os finais dos anos 80, a situação no mundo esteve em equilíbrio graças a um outro sistema sociopolítico, a União Soviética, que se encontrava em estado de guerra fria com os Estados Unidos. Mas, em resultado da desintegração da URSS, a América livrou-se de seu único rival.

Sob a cobertura da garantia da segurança coletiva e da contraposição com métodos da força ao terrorismo, os EUA começaram a entrar em territórios de outros países, instaurando lá regimes pró-americanos. Tais métodos, contudo, não sempre levaram aos fins marcados. Isso, em parte, explica a preocupação dos Estados Unidos, considera o vice-diretor do Instituto dos EUA e do Canadá, Pavel Zolotarev:

“Ainda em 2008, o então presidente da Ucrânia, Viktor Yuschenko, pretendia concretizar o programa da entrada do país na OTAN. Os Estados Unidos tentavam também arrastar a Geórgia para a aliança militar com a ajuda de Mikheil Saakashvili. Destaque-se que os líderes ucranianos e georgianos coordenavam entre si esses esforços. Assim, grupos militares e meios de defesa antiaérea ucranianas foram instalados no território da Geórgia. Esta foi a primeira tentativa de alterar radicalmente a situação na região”.

A segunda tentativa havia sido preparada durante muitos anos, aponta o vice-diretor do Instituto dos EUA e do Canadá. Forças pró-americanas chegaram ao poder na Ucrânia através de um golpe de Estado. Previa-se que a Rússia teria o acesso limitado ao mar Negro e, afinal das contas, perderia a base naval na Crimeia.

Esta operação também fracassou. Em resultado de um referendo, a Crimeia anunciou a independência e posteriormente aderiu à Rússia. O malogro do cenário de afastamento da Rússia da Crimeia provocou uma onda de descontentamento no Ocidente. Pelo visto, é nisso que se encerra a ameaça que a Rússia representa para os aliados dos EUA, da qual falou o vice-ministro da Defesa americano, Robert O´Work.

Mas qual é a culpa da China? Com o crescimento de sua potência econômica, a China não quer mais ficar na sombra no palco de política externa. O país tenta alargar sua influência na Ásia. Em parte, essa postura manifesta-se no fato de a China ter começado a declarar mais rigidamente seus interesses em disputas territoriais, o que irrita muito os Estados Unidos, diz o dirigente do Centro de Segurança Internacional, Alexei Arbatov:

“A China, por exemplo, reclama direitos à ilha de Spratly, pretendendo monopolizar nesse território a extração de hidrocarbonetos. Esse fato preocupa muito Vietnã, tal como Indonésia, Tailândia e Malásia. Os receios daqueles países não são vãos. Obama tentará conseguir que a China não crie ameaças para os aliados americanos mais próximos, como o Japão, Coreia do Sul, países do Sudeste Asiático”.

Na realidade, a América não quer simplesmente perder suas esferas de influência, nas quais assenta a nova ordem mundial. Por isso, o crescimento da influência da China se classifica como ameaça a aliados e a integração voluntária da Crimeia na Federação da Rússia se considera como anexão.

O problema não consiste em que outros países alteram artificialmente a distribuição das forças que se formou há 70 anos. O mundo não é imóvel, aparecem novas potências capazes de competir econômica e geopoliticamente com o antigo líder. Ao mesmo tempo, a possível aproximação de concorrentes é o aspeto mais desagradável para os Estados Unidos.

Assim, por exemplo, a mídia americana havia declarado repetidas vezes que a aproximação de Moscou e Pequim é pior que uma guerra fria para Washington. Conjugando seus esforços, os dois países podem ultrapassar militarmente os EUA, não deixando para a América um lugar na Ásia.
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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Fim dos Tempos: Estado Islâmico diz aos EUA que irá afogar todos em sangue


O grupo militante Estado Islâmico, que ocupou várias partes do Iraque e atraiu os primeiros ataques aéreos dos Estados Unidos desde o final da ocupação em 2011, alertou os EUA que irá atacar seus cidadãos “em qualquer lugar” se os bombardeios atingirem seus militantes.

O vídeo, que mostra uma foto de um norte-americano decapitado durante a presença dos EUA no Iraque e vítimas de franco-atiradores, contém uma declaração em inglês que diz “iremos afogar todos vocês em sague”.

Os ataques aéreos dos Estados Unidos no norte iraquiano ajudaram forças curdas e iraquianas a recuperar parte dos territórios capturados pelos militantes islâmicos, que ameaçaram rumar para Bagdá.

A mais recente ofensiva do Estado Islâmico, uma dissidência da Al Qaeda, obrigou dezenas de milhares de pessoas da minoria étnica Yazidi e cristãos a fugir para salvar a vida, e alarmou o governo de Bagdá e seus aliados ocidentais.

Ao contrário da Al-Qaeda, até agora o Estado Islâmico se concentrou em tomar terras no Iraque e na Síria para seu autoproclamado califado, e não em atentados espetaculares contra alvos ocidentais.

O presidente dos EUA, Barack Obama, declarou em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira que o Estado Islâmico representa uma ameaça ao Iraque e a toda a região.

Fonte: Contacto Latino
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Ocidente precisa reagir à Nova Ordem Mundial


Alexander Kudascheff, redator-chefe da DW

Ucrânia, Síria, Iraque: tanto os conflitos violentos quanto a constante formação de alianças inesperadas marcam mundo atual. Ocidente precisa reagir a essa realidade, opina o redator-chefe da DW, Alexander Kudascheff.

O mundo está sendo abalado por crises dramáticas. Na Ucrânia. E ainda mais no Oriente Médio, mesmo que um novo cessar-fogo de cinco dias entre Israel e o Hamas permita uma pausa para respirar. Na Síria, a guerra civil prossegue com intensidade homicida, embora quase que despercebida: em breve se atingirá a marca de 200 mil mortos, num país em dissolução.

E no norte do Iraque, o mapa territorial está sendo retraçado por uma soldadesca inimaginavelmente brutal, que ultrapassa todos os limites em nome de Alá, e cuja área de dominação já se estende da cidade de Aleppo até o Curdistão iraquiano: o chamado "Estado Islâmico" (EI). O EI pretende destruir a ordem vigente, ele não reconhece fronteiras, Estados ou governos: para ele, o que conta é apenas sua própria interpretação do Alcorão.

E isso abala a diplomacia, pois, de repente, as antigas concepções não valem mais. Os Estados Unidos apoiam os curdos – e, portanto, indiretamente, os xiitas em Bagdá e em Teerã – na luta contra os terroristas do EI. O país dá essa ajuda à própria revelia, pois, na realidade, ele quer uma troca de poder e de política no Iraque, e suas relações com o Irã prosseguem tensas e abaladas.

Na Síria, os EUA também não sabem se insistem na queda do tirano Bashar al-Assad, pois isso abriria o caminho para a Frente Al-Nusra, que eles combatem no norte do Iraque. Uma desordem diplomática para a qual não há respostas fáceis.

O prêmio Nobel da Paz Barack Obama decidiu-se cedo por uma retirada de tropas do Iraque. Ele não acredita nos êxitos das intervenções militares e, no entanto, teve que interferir agora. O papel dos EUA no Oriente Médio se desgastou. Antes, o país era considerado insubstituível, devido a suas estreitas conexões estratégicas com Israel e com as monarquias e países árabes conservadores e com lideranças autoritárias, como o Egito, a Jordânia e a Arábia Saudita.

Porém, Obama tem fama de fraco, indeciso, hesitante e incapaz de se impor. Nem mesmo Israel lhe dá ouvidos – como tem mostrado, nos últimos 12 meses, a vã "diplomacia de ponte aérea" do incansável secretário de Estado John Kerry. Israel segue sendo o parceiro dos EUA, porém, age de forma mais autônoma do que nunca.

Na grande crise europeia em torno da Ucrânia, por outro lado, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, se revela um mestre da falta de transparência tática. Depois da anexação da Crimeia, será que ele também pretende avançar sobre o leste ucraniano? Será que só quer desestabilizar a região? Ou quer desestabilizá-la para depois anexá-la?

Será que o desafio de Moscou se dirige apenas ao malquisto governo em Kiev, ou por trás dele se esconde a gritante ambição de poder de um novo imperialismo russo, que se insere no vácuo político aberto pelos EUA, tão ocupados consigo mesmos, e pela hesitante e indecisa União Europeia?

As sanções do Ocidente contra os russos apresentam os primeiros efeitos, mas o clima vai se congelando; e apenas telefonemas, até mesmo da chefe de governo alemã, Angela Merkel, não bastarão para desfazer o nó ucraniano. Como a Rússia foi excluída do círculo do G8, é a UE que precisa, em primeira linha, encontrar uma via de acesso ao Kremlin.

A Alemanha, por sua vez, – que desde o início do ano vem debatendo, com maior ou menor alarde, sobre um maior engajamento político no mundo – é forçada a assumir um novo papel.

O país é uma potência líder e sua opinião é escutada. Contudo, Berlim precisa avançar ainda mais, não pode se esconder por trás da UE na esperança de não ter que assumir nenhuma responsabilidade. A Alemanha precisa assumir uma posição definida: na crise da Ucrânia, sem dúvida, e possivelmente mais ainda no caso do norte do Iraque.

Se o "Estado Islâmico" age com brutalidade quase sem precedentes, se seres humanos são massacrados, assassinados ou expulsos de seus domicílios, então, Berlim não pode se acomodar em seu bem estar e prosperidade e esperar tranquilizar a própria consciência com alguns milhões e entregas de ajuda humanitária.

No entanto, as intervenções militares das últimas duas décadas foram raramente acompanhadas de sucesso. Isso vale tanto para o Afeganistão como para a Líbia – onde a derrubada de Muammar Kadafi transformou a ditadura de um homem só num "Estado caído".

O mundo ficou mais difícil de compreender. A nova ordem mundial é uma ordem em que novas alianças são constantemente formadas. Pois quem poderia ter imaginado, apenas alguns meses atrás, que o mundo se colocaria do lado dos curdos? Ainda mais com a intenção de que combatentes peshmerga vitoriosos desenvolvam uma nova consciência curda e que talvez exijam a fundação de um Estado curdo transfronteiriço!

Entre os polos da superpotência americana em retirada, as pretensões neoimperialistas de Moscou e uma China que, por enquanto, muitas vezes ainda age à sombra da política mundial, é necessária uma política externa nova e livre de preconceitos por parte da UE e, sobretudo, da Alemanha. E isso numa época sem certezas diplomáticas.

Fonte: D.w
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sábado, 16 de agosto de 2014

Crime mata mais por dia no Brasil que o confronto entre Israel e Palestina


Publicado no começo de julho, o mais recente Mapa da Violência mostra que o número de homicídios no Brasil sobe a cada ano.

Em 2012, o ano com os dados mais recentes, 56.325 brasileiros foram vítimas de homicídio, o que resulta em uma média de 154 mortes por dia.

Já no confronto entre Israel e Palestina, desde o dia 8 de julho, quando Israel começou a investida contra o Hamas em Gaza, foram contabilizadas 1.901 mortes (1.834 palestinos e 67 israelenses). O que resulta numa média de 66 mortes por dia. 

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terça-feira, 10 de junho de 2014

O Clube Bilderberg por trás da abdicação do rei de Espanha e de uma futura guerra?

 
© bizhijidi.com / RT

Após a conclusão da reunião anual do polémico Clube Bilderberg, os especialistas admitem que foi aí onde foi acordado a abdicação do rei de Espanha, entre outras coisas, discutiram o cenário de uma possível guerra em grande escala.

Rodeado por um halo de mistérios e segredos no passado domingo o Bilderberg Club, uma organização que reúne as mais altas autoridades da Europa e dos EUA no campo político, económico e militar, deu por encerrado na Dinamarca o seu encontro anual, sem qualquer declaração à imprensa.

Embora uma vez que esta instituição garante que suas reuniões não são relevantes, o escritor e jornalista Cristina Martín Jiménez acredita que este clube de poderosos "procura controlar e governar o mundo", e que, entre outras coisas, são responsáveis ​​pela Europa estar mergulhada numa crise .

"O efeito mais imediato da reunião do clube apenas se encontrou com a abdicação o rei ", disse o especialista ao jornal espanhol El Confidencial '.

"Eu não tenho dúvida de que a abdicação do rei é uma decisão de consenso Bilderberg", afirma Cristina Martin Jimenez, jornalista de investigação e que tem mais de 10 anos de estudos dos mistérios desta organização.

Além disso, a analista é clara que grande parte das negociações deste ano girava em torno da possibilidade de um conflito armado na Rússia, na China e no Oriente Médio.

Não surpreende, argumenta a escritora, a reunião teve a participação de figuras militares influentes como o secretário-geral da NATO , Anders Rasmussen, ou o ex-diretor da CIA, David Petraeus.

"O que nós concordamos é que em poucos meses ou um ano, vai haver uma grande reestruturação militar, económica e comercial causada por uma grande mudança na história do mundo: um conflito bélico de grande escala", concluíu.

Leia mais: Tudo o que você não sabia sobre o Clube Bilderberg

Fonte: RT
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quarta-feira, 21 de maio de 2014

Coréia do Norte: "Israel é um câncer!"


Na semana passada o ministro de Relações Exteriores da República Popular Democrática da Coréia (Coréia do Norte) expressou com as seguintes palavras sua opinião sobre Israel: “é um câncer!”

Dias antes, durante visita ao Japão, o primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu acusou o Irã de trocar tecnologia nuclear com a Coréia do Norte para ameaçar Israel, e mais: " certamente o Irã compartilha com a Coréia do Norte todas as tecnologias que adquire".

Diante dessas acusações infundadas e irresponsáveis – um hábito da diplomacia sionista -, o ministro das Relações Exteriores da Coréia do Norte respondeu à imprensa internacional : "Israel é um câncer para a paz no Oriente Médio.

O primeiro ministro israelense Netanyahu mente para tentar desviar o olhar da opinião internacional sob o arsenal atômico de Israel", e acrescentou: " Israel deve conter seu mau hábito de atacar outros quando é colocado no centro das atenções. Precisa cumprir e respeitar os pedidos internacionais para alcançar a paz e a desnuclearização do Oriente Médio".

Com sábias palavras o ministro norte-coreano colocou o ministro israelense em seu devido lugar, de mentiroso contumaz, representante de um país – Israel - que fala em desarmamento mas possui bombas atômicas, que fala de paz mas massacra a população palestina ao longo das últimas décadas de maneira criminosa na maior impunidade, graças ao governo dos EUA e seus aliados cúmplices. 

Fonte: Marcha Verde 
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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Chanceler Hollande tenta convencer os EUA a atacarem a Síria


“A França não agirá sozinha”, disse Fabius em Washington, garante uma fonte do Quai d’Orsay, segundo a qual em muitos anos de experiência não encontrou um ministro com uma ideia tão fixa num conflito.“Nem mesmo quando foi do envolvimento na guerra da Líbia a disponibilidade do ministro de então para a guerra foi tão ostensiva”, acrescentou.

“Mas as circunstâncias levam-me a pensar que não é apenas o ministro, e sim quem o manteve, apesar da remodelação governamental”, disse o funcionário diplomático, deixando em aberto os intuitos belicistas do próprio presidente Hollande.

O pretexto invocado por Fabius na capital federal norte-americana foi ainda o do massacre químico de Ghouta, em 21 de Agosto do ano passado, e que o ministro francês continua a pretender atribuir ao regime de Assad, quando no mundo já ninguém acredita nisso, tanto através da apresentação de provas circunstanciais como dos desenvolvimentos posteriores.

Nem o governo Obama tem hoje dúvidas de que os autores do massacre foram “rebeldes” associados à rede Al-Qaida, os mesmos que têm em seu poder os últimos contêineres de materiais químicos que eram do Exército sírio, impedindo que sejam desmantelados através do processo internacional acordado com Damasco.

Laurent Fabius é uma figura de grande relevo no lobby israelense mundial. “Não tenho dúvida de que essa foi uma das razões pelas quais sobreviveu à remodelação governamental”, diz a mesma fonte do Ministério francês.Nos meios políticos franceses sabe-se que Fabius é igualmente partidário de uma guerra contra o Irã, tal como a administração nacionalista de Israel.

Em Paris, admite-se que o assunto tenha sido ventilado também em Washington, no contexto global envolvendo a Síria, o Irã e o alegado papel da Rússia na crise ucraniana.“Não tenho qualquer dúvida de que esta atividade intensa do ministro tem a ver com a estratégia de criar agitação em volta das eleições presidenciais sírias, tentando desvalorizá-las, porque sabe que a sua realização revela uma derrota da intervenção ocidental, em que a França se envolveu a fundo”, afirma a fonte do Quai d’Orsay.

“Mas tem também a ver com a mensagem dominante em Israel, que em muitos aspectos não coincide com a de Obama”, sublinhou.

Jornalistas sem Fronteiras

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quarta-feira, 14 de maio de 2014

A luta pela Crimeia durante a Segunda Guerra


Nacionalistas dos tártaros da Crimeia participavam de modo ativo nas unidades punitivas que lutavam contra a população local e guerrilheiros Foto: RIA Nóvosti

Para os alemães, a tomada da Crimeia abriria o caminho para o Cáucaso e proporcionaria o controle sobre infraestruturas da Costa Norte do Mar Negro. A Crimeia viveu três anos terríveis, durante os quais perdeu quase metade de sua população.

A Segunda Guerra começou para a Crimeia, como para toda a União Soviética, ao amanhecer do dia 22 de junho de 1941 e acabou há precisamente 70 anos, em maio de 1944.

Para a URSS, a península era uma base importante da Marinha, um aeródromo para ataques contra reservas petrolíferas de Hitler na Romênia e, após as derrotas do Exército Vermelho em 1941, uma fortaleza natural que obrigava tropas inimigas a desviar da direção principal da agressão.

Para os alemães, a tomada da Crimeia abriria o caminho para o Cáucaso e proporcionaria o controle sobre infraestruturas da Costa Norte do Mar Negro. Em 1943, a península devia deter e desviar as forças do Exército Vermelho, que já estava avançando para o Ocidente.

A Crimeia viveu três anos terríveis, durante os quais perdeu quase metade de sua população.

Defesa de Sebastopol

Quando a Segunda Guerra começou, a cidade de Sebastopol era um dos locais mais fortificados do mundo.

A zona defensiva da cidade continha dezenas de peças de artilharia, campos de minas e duas baterias de torres blindadas –BB-30 e BB-35, chamadas pelos alemães de “Máximo Gorki”, bem como uma bateria antiaérea, batizada pelos nazistas de “Forte ‘Stálin’”. As fortificações estavam ligadas entre si por uma rede subterrânea de passagens e arsenais nos túneis escavados nos rochedos.

As tentativas dos alemães de se apoderarem da cidade logo no outono de 1941 fracassaram. Quando foi concluída a libertação pelo exército soviético de uma parte da Península de Kerch (para o dia 2 de janeiro de 1942), os nazistas retiraram suas tropas dos arredores de Sebastopol.

No entanto, as tropas soviéticas não conseguiram preservar suas posições na Península de Kerch, sofrendo grandes perdas durante a retirada. O inimigo cortou o acesso à passagem às unidades militares soviéticas (cerca de 10 mil elementos), que estavam protegendo a evacuação, o que as obrigou a se colocar na defensiva, junto com uma parte da população local, nas pedreiras de Adjimuskai.

As pedreiras foram a última linha de defesa da Crimeia. Os alemães tomaram-nas dentro de quase seis meses; no fim do cerco de 170 dias, só 48 pessoas sobreviveram do total aproximado de 13 mil.

Em julho de 1942, os alemães tomaram Sebastopol. Durante a defesa da cidade, de outubro de 1941 a julho de 1942, o Exército Vermelho sofreu 156 mil baixas.

Gerrilha

Ainda antes da invasão alemã, na Crimeia foi criada uma infraestrutura para a guerrilha. Esconderijos com armas e provisões foram construídos de antemão, a direção de futuros destacamentos estava sendo formada.

Durante a ocupação nazista, atuavam mais de 200 organizações e grupos clandestinos na Crimeia, abrangendo até 2.500 pessoas. Os guerrilheiros organizavam sabotagens na ferrovia e atacavam guarnições inimigas.

A população local simpatizava com os guerrilheiros, já que a “nova ordem” estabelecida pelos ocupantes subentendia extermínio sistemático dos habitantes.

Só no período entre o final de 1941 e o início de 1942 as tropas punitivas alemãs fuzilaram cerca de 12 mil pessoas nos arredores de Feodóssia e 7 mil na zona de Kerch.

Milhares de habitantes locais foram encarcerados nos campos de concentração, o maior dos quais se encontrava no terreno do sovkhoz (fazenda estatal) “Krassni”.

Foto: RIA Nóvosti 
 
Nacionalistas dos tártaros da Crimeia participavam de modo ativo nas unidades punitivas que lutavam contra a população local e guerrilheiros.

Mais de 60 mil habitantes da Crimeia estavam combatendo no Exército Vermelho. A participação dos tártaros na guerrilha é avaliada em 17 mil elementos. Sultán Amet-Khan, ás da aviação, um dos mais conhecidos daquela guerra por ter derrubado 30 aviões inimigos, era oriundo dos tártaros da Crimeia.

Libertação

No outono de 1943, as tropas soviéticas se aproximaram da Crimeia e conseguiram tomar posições para ofensiva no norte e no leste da península.

Durante o inverno de 1944, decorreram combates contínuos; não obstante, não foi possível recuperar a península logo.

A defesa alemã na Crimeia –poderosa, escalonada em vários níveis– se baseava num agrupamento de 195 mil soldados e oficiais. As forças soviéticas dispunham de aproximadamente 470 mil elementos.

Em 8 de abril de 1944, as unidades soviéticas passaram à ofensiva no norte da península; passados 3 dias, no leste; em 18 de abril, toda a Crimeia (menos Sebastopol) foi libertada dos alemães.

Após um curto período preparatório, dia 7 de maio foi iniciado um ataque maciço contra uma região fortificada alemã nos subúrbios de Sebastopol. O golpe principal foi efetuado no mesmo local do ataque geral das tropas alemãs, que ocorreu dois anos antes, entre o monte Sapún e a elevação Górnaia.

Seguindo a intensiva preparação da parte da aviação e artilharia, grupos de assalto foram ao ataque. Ao fim da tarde, foi tomado o monte Sapún, no dia seguinte o inimigo foi expulso dos montes Mekenzievi.

Dia 9 de maio, um ano antes da vitória sobre Alemanha, às 8h, começou o assalto geral de Sebastopol.

O impulso dos atacantes foi tão forte que, com falta de embarcações, os soldados começaram atravessando a baía em tudo que podia flutuar.

Até os caixões, preparados por intendentes alemães, serviram de barcos. À noite de 9 de maio, toda a cidade de Sebastopol foi libertada.

Os restos das tropas hitlerianas recuaram até ao cabo de Khersonés e foram apertados contra o mar.

Os moradores contavam que em 100 metros da costa não se via água, pois tudo estava cheio de cadáveres inimigos e de cavalos, bem como de carros e meios técnicos de combate. Foi assim que acabou a presença alemã na Crimeia.

Fontes: Gazeta Russa - Notícia Final
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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Rússia busca Terceira Guerra Mundial, acusa premiê ucraniano


Por iG São Paulo

Para Arseniy Yatsenyuk, tentativa de Moscou em iniciar conflito armado na Ucrânia pode provocar um embate militar na Europa

O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, acusou nesta sexta-feira (25) a Rússia de querer ocupar 'militar e politicamente' o país e ainda afirmou que Moscou busca a terceira guerra mundial.

O primeiro-ministro da Ucrânia Arseniy Yatsenyuk, centro, fala durante encontro com líderes regionais em Donetsk, Ucrânia (11/04)

De acordo com Yatsenyuk, as tentativas russas para iniciar um conflito na Ucrânia vão levar a um embate militar na Europa. O discurso forte do premiê foi divulgado em meio a uma crescente escalada de tensões na região ucraniana.

Na quinta (24), o chefe de Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, ordenou novos exercícios militares perto da fronteira com a Ucrânia oriental depois que as forças ucranianas anunciaram a morte de cinco militantes pró-russos em uma operação para a retirada dos bloqueios em estradas perto da cidade de Slavyansk, leste do país.

Os confrontos foram os primeiros desde que o presidente em exercício Oleksandr Turchynov ordenou na terça-feira a retomada das operações militares no leste ucraniano, onde manifestantes pró-Rússia e homens armados mascarados tomaram o controle de prédios do governo em ao menos dez cidades e montaram bloqueios de rua.

"Temos de reagir a esses acontecimentos de alguma forma", disse Shoigu em comentários televisionados.

A Rússia já tem dezenas de milhares de soldados posicionados em regiões ao longo de sua fronteira com a Ucrânia. Os mais recentes exercícios militares russos envolverão tropas terrestres no sul e ocidente e forças aéreas patrulhando a fronteira, disse Shoigu.

Entenda: Saiba quais são as cidades afetadas pelo movimento separatista na Ucrânia

Ele também citou fontes não especificadas dizendo que Kiev enviou mais de 11 mil soldados e 160 tanques contra os insurgentes pró-Rússia, que ele contabilizou como tendo menos de 2 mil integrantes. Não como verificar esses números de forma independente.

Enquanto isso, autoridades dos Estados Unidos - incluindo o presidente Barack Obama - prometeram ações internacionais mais punitivas que visam atingir a economia da Rússia se Moscou, na opinião deles, continua a agravar a situação.

Durante coletiva na Coreia do Sul nesta sexta, Obama afirmou que falaria com outros líderes europeus sobre impor mais sanções contra a Rússia por causa de suas ações na crise da Ucrânia. Haverá sanções específicas que estão "prontas para serem impostas”, disse ele, ecoando comentários que fez um dia antes, no Japão.

"É importante para nós anteciparmos que as sanções específicas que estamos aplicando agora não necessariamente vão resolver o problema", disse ele. "O que estamos tentando fazer é elevar continuamente os custos para a Rússia de suas ações ao mesmo tempo em que damos a possibilidade de eles se moverem em uma direção diferente."

Obama também elogiou a unidade dos outros países na condenação russa por sua "intromissão" na Ucrânia.

Novas sanções

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, sugeriu na quinta que os Estados Unidos estão próximos de impor mais sanções à Rússia, afirmando que o tempo estava se esgotando para os russos mudarem o curso de suas políticas na Ucrânia.

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sexta-feira, 28 de março de 2014

100 mil soldados na fronteira com a Ucrânia e navios de guerra russos estão estacionados, a guerra é inevitável?

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Clique na imagem para ampliar: Navios de guerra russos estão estacionados na Crimeia (Foto: AFP)

Tropas não estão só na Crimeia, diz Conselho de Segurança ucraniano. 'A cada dia esperamos um grande ataque contra o território ucraniano'.

A Rússia mobilizou quase 100.000 soldados ao longo de sua fronteira com a Ucrânia, afirmou nesta quinta-feira (27) o presidente do Conselho de Segurança Nacional ucraniano.

Saiba mais EUA e Europa estão unidos para impor sanções à Rússia, diz Obama UE e EUA adotam sanções contra envolvidos no referendo da Crimeia Entenda o que muda na Crimeia após referendo aprovar adesão à Rússia O número é superior ao estimado na quarta-feira (26) pelos Estados Unidos.

"Cerca de 100.000 soldados estão estacionados na fronteira ucraniana. Eles estão prontos para atacar há várias semanas", declarou Andriy Parubiy. "As tropas russas não estão presentes apenas na Crimeia, elas estão ao longo de toda a fronteira", insistiu Parubiy.

"A cada dia esperamos um grande ataque contra o território da Ucrânia e estamos nos preparando", disse. Pentágono acompanha De acordo com o Pentágono, mais de 20 mil soldados russos, equipados com o necessário para uma operação militar, estão posicionados ao longo da fronteira russo-ucraniana. A Rússia negou no domingo tal informação.

No entanto, o secretário de Defesa americano, Chuck Hagel, declarou na quarta-feira que Moscou continua concentrando tropas na fronteira ucraniana.

"A realidade é que eles continuam a reforçar suas tropas", afirmou Hagel, a quem seu colega russo Sergue Cho gu garantiu que as tropas russas não ultrapassarão a fronteira. Segundo a autoridade ucraniana, a operação russa tem por objetivo assumir o controle da província ucraniana da Crimeia.

No início do mês, a Rússia anexou a península ucracaniana da Crimeia, após a população demonstrar em um referendo que apoiava desmembramento da Ucrânia. Estados Unidos e Europa impuseram uma série de sanções contra o governo russo e as autoridades ucranianas que apoiaram a anexação.

Conselho de Segurança A Ucrânia pediu a Assembleia Geral das Nações Unidas que vote uma resolução que defenda a integridade territorial e denuncie a anexação russa da Crimeia, com o objetivo de dissuadir a Rússia de continuar 'com sua agressão'.

A Ucrânia recorreu à Assembleia Geral, órgão em que podem votar os 193 países membros da ONU, depois do veto de Moscou nesta questão no Conselho de Segurança em 15 de março passado, um dia antes do referendo em que a Crimeia decidiu aderir à Federação Russa. Ucrânia e as potências ocidentais declararam ilegal o referendo.

Ao contrário do Conselho de Segurança, as resoluções da Assembleia Geral não são vinculantes, por isso a votação é mais simbólica. criemia (Foto: AFP) Navios de guerra russos estão estacionados na Crimeia (Foto: AFP)

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Fonte: I.F.T.TT
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quinta-feira, 27 de março de 2014

EUA atentos a probabilidade de Rússia invadir leste da Ucrânia


Paul Szoldra Business Insider

Inteligência dos EUA adverte de "alta Probabilidade " de invasão russa do leste da Ucrânia 

Detalhes de uma avaliação da inteligência classificada e visto pela correspondente da CNN no Pentágono Barbara Starr mostra uma probabilidade "super provável" de que a Rússia vai se mover para leste da Ucrânia.

Com as forças militares russas atualmente encenando exercícios de treinamento na Transnístria, uma lasca separatista da ex-Rep. Sov. da Moldávia, o Comitê de Serviços Armados da Câmara observa que Moscou pode "invadir a Ucrânia oriental e meridional, pressionando o Ocidente indo para a Transdinestria e também buscar uma grilagem de terras nos países bálticos."

"Não há força absolutamente suficiente (russa)ainda posicionada na fronteira oriental da Ucrânia para invadir a Transnístria, se a decisão for tomada para fazer isso, e isso é muito preocupante", alerta o Comandante Supremo Aliado da OTAN na Europa general Philip Breedlove que disse à Reuters no sábado.

Mas entre os novos detalhes sobre possíveis intenções da Rússia no relatório:

As tropas russas na fronteira no leste da Ucrânia - agora são mais do que 30.000 - número "significativamente mais" do que o que é necessário para que a Rússia está chamando de um exercício de treinamento.

Estas tropas incluem um grande número de unidades motorizadas, que têm a capacidade de agir rapidamente. Há também o que parece ser um maior nível de atividade entre as forças especiais, no ar, e as tropas de transporte aéreo no interior da Rússia.

Inteligências adicionais mostram mais forças russas "reforçando" a região de fronteira.

Apesar de ter recebido garantias do ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu de que a Rússia não iria invadir, o secretário de Defesa dos EUA Chuck Hagel disse na terça-feira que "eles [os russos] continuam a aumentar as suas forças" - notando que as tropas se aproximam da fronteira nos últimos dias, Radio Free Europe relata.

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terça-feira, 11 de março de 2014

Aumentam os conflitos entre muçulmanos e judeus no Monte do Templo


Por: Jarbas Aragão

Disputa pelo espaço sagrado é vista como cumprimento de profecia

Nas últimas semanas tem aumentado os conflitos na região do Monte do Templo em Jerusalém. A polícia israelense chegou a invadir o local para dispersar protestos usando gás lacrimogênio e balas de borracha.

O motivo das novas manifestações foram as propostas de parlamentares judeus pedindo um aumento do controle de Israel sobre o local.

Um porta-voz da polícia relatou disse que cerca de 20 jovens palestinos atiraram pedras e rojões contra policiais. A polícia foi chamada e prendeu três pessoas que estavam mascaradas. Os muçulmanos chamam o local de Santuário Sagrado, onde está localizada uma das mais famosas mesquitas do mundo, o Domo da Rocha. Para eles, foi ali que Maomé teria ascendido ao céu.

Os judeus normalmente oraram abaixo, no Muro das Lamentações, mas defendem que neste local ficava o Templo de Salomão. Por séculos tem ocorrido ali conflitos territoriais e religiosos entre israelenses e árabes.

Nos últimos meses o Parlamento israelense vem debatendo uma proposta dos nacionalistas para estender o acesso dos judeus no local. O deputado nacionalista Moshe Feiglin, do partido Likud, o mesmo do premiê Benjamin Netanyahu, tem recebido muitas críticas por liderar o esforço. Feiglin fez um comunicado público, conclamando que Israel “perceba seu direito de soberania sobre o Monte”.

Os moderados acreditam que isso pode ser considerado uma declaração de guerra, pois segundo o diretor-geral da Waqf, judeus extremistas planejam colocar uma bandeira israelense no local. A Waqf é a autoridade islâmica da Jordânia, responsável pela administração do local.

Azzam Khatib, seu diretor, pediu que o governo intervenha para evitar maiores conflitos. O presidente palestino Mahmoud Abbas emitiu um comunicado condenando o ocorrido. “Algumas investidas não são apenas um perigo para locais sagrados, mas também criam uma atmosfera que irá aumentar a violência e o ódio e converter o confronto em um perigoso conflito religioso”, ressaltou.

Embora esse tipo de incidente receba pouca atenção das agências de notícia fora de Israel, está no centro da controvérsia milenar sobre a reconstrução do Templo de Salomão, que para muitos seria o Terceiro Templo. Desde o ano passado crescem os rumores sobre essa possibilidade, que é vista como o cumprimento da antiga profecia bíblica e estaria ligada a vinda do Messias.

Em agosto de 2013, o Instituto do Templo, juntamente com várias outras organizações ortodoxas começaram a preparação dos novos sacerdotes, dando um importante passo na restauração dos sacrifícios rituais, nomeando novos levitas. Também mostrou que já estão prontas todas as peças necessárias para o local conforma a descrição bíblica. Com informações Haaretz.

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As provações que aguardam a Ucrânia


Por: Jorge Almeida Fernandes
 
Após a proclamação da independência, em Dezembro de 1991, os ucranianos apostaram ser a “interface” entre a Rússia pós-soviética e a nova Europa saída da Guerra Fria, conjugando uma identidade europeia com os laços históricos e econômicos que os ligam à Rússia. O lema passou a ser: “Dentro da Europa e perto da Rússia.” Os povos não escolhem a sua geografia nem os vizinhos.

Os desafios que agora se colocam à Ucrânia são desesperadamente mais difíceis do que destituir Viktor Yanukovych. Kiev conta com os ocidentais para travar Moscou, pelo menos nos próximos tempos. Mas não confiam cegamente. Conhecem a fraqueza política da UE, sentem que os americanos estão longe e a Rússia mesmo ao lado.

Levam a sério os discursos de Moscou considerando a “perda” da Ucrânia como uma “ameaça à sua segurança nacional”, porque este é um sentimento largamente partilhado pelos russos. Sabem ainda que o projeto de uma união aduaneira, antecâmara da União Euro-asiática que integraria Kiev no espaço de influência russo, é a trave mestra da política de Vladimir Putin para restabelecer a “potência russa”. E não crêem que ele desista de interferir na Ucrânia.

Este não é o seu único problema. O mais urgente é a economia, à beira de um colapso total. O sistema político — a “democracia dos oligarcas” — está esgotado e bloqueará quaisquer reformas. O novo e frágil governo conseguiu uma pausa de estabilidade, atenuando as tensões entre o Leste e o Oeste do país. Perdida a Crimeia, a prioridade centra-se nas populações russófonas do Leste, onde é forte a influência de Moscou. Aguarda-se, enfim, a simbólica assinatura do acordo de associação com a UE e a “injeção” de empréstimos internacionais para evitar a bancarrota.

Mas continuará em aberto uma questão chamada Ucrânia.

Rússia e Europa

O primeiro dado a ter em conta é a estratégia tradicional de controle da Ucrânia pela Rússia. Estão na memória espetaculares ações punitivas como o corte do gás ou a “guerra alfandegária” imposta no ano passado para travar o acordo com a UE. Estes são instrumentos de exceção. A norma era outra: manter uma “Ucrânia fraca”, com um elemento de “instabilidade controlada”, escreve Andrew Wilson, do Conselho Europeu de Relações Externas. A ajuda russa foi sempre para “manter o regime a flutuar”, reforçando a sua dependência.

Dois especialistas poloneses, Wojciech Kononczuk e Tadeusz Olszanki, faziam em Janeiro a mesma análise: “Uma Ucrânia autoritária, corrupta, opaca e politicamente instável, incapaz de fazer as reformas estruturais de que desesperadamente necessita, é a melhor garantia de que o país ficará fora da órbita da UE — ou até na esfera de influência da Rússia.”

“Todas as alavancas da Rússia na Ucrânia foram inteiramente fabricadas por ucranianos”, confirmam Samuel Charap e Keith Darden, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres. “A eficácia da coerção econômica [de Moscou] não deve ser creditada à força russa; é antes o reflexo da completa falência da elite ucraniana para reformar a economia do país.”

A economista ucraniana Olga Shumylo-Rapiola explicou que a recusa da adesão à Parceria Oriental da UE, em Novembro, não se deveu apenas às pressões russas, mas aos oligarcas: “Kiev não quer reformas.” Os grandes oligarcas, como Rinat Akhmetov e Dmitro Firtach, os principais financiadores do Partido das Regiões, de Yanukovych, hesitaram, mas acabaram por recusar: não lhes interessava mudar o quadro legal dos negócios e, sobretudo, detestavam a palavra “transparência”. Nos índices mundiais da corrupção, a Ucrânia surge no 144º lugar — em 177.

A “atração europeia” não se deve apenas a uma partilha de valores e a uma vontade de maior independência. A maioria dos ucranianos admira e inveja a recuperação econômica da Polônia ou da República Checa. Mas a Ucrânia não fez as reformas do Leste europeu após a queda do comunismo.

Estas reformas não são as da crise do euro. Trata-se da reestruturação da economia e das suas regras — e será muito duro. Uma sondagem feita em 2013 dava resultados interessantes. A adesão à união aduaneira russa ou ao acordo de associação com a UE partiam o país ao meio: 37% para a primeira opção, 39 para segunda. O apoio à primeira opção era esmagador no Leste. A escolha da UE era muito alta na Ucrânia ocidental e central.

No Leste, não pesavam apenas os laços com a Rússia. As pessoas temiam que as reformas levassem ao desmantelamento de várias indústrias. A economia é fortemente subsidiada. “Não estamos contra a UE, mas não podemos aceitar as condições que nos põem de cortes salariais e redução de postos de trabalho, combinados com uma alta dos preços”, dizia um trabalhador a um jornal.

Oligarcas

“É impossível compreender a Ucrânia moderna sem compreender a teia de dependências entre as elites políticas e o mundo dos negócios”, explica Wojciech Kononczuk. “A interação entre os interesses dos oligarcas é o verdadeiro mecanismo que molda a política ucraniana.” Os oligarcas são, inclusivamente, mais relevantes na cena política do que os próprios políticos.

Não se limitam a financiar os partidos e políticos. A sua opinião é determinante na tomada de decisões. “É difícil identificar uma força política importante que esteja interessada na ‘desoligarquização’ da Ucrânia e — o que é crucial — tenha instrumentos para levar a cabo tal mudança.”

O que se passou com a queda de Yanukovych é a melhor ilustração. Os oligarcas deixaram-no cair não só porque lhes era inútil, mas se tornara nocivo aos seus interesses. Rinat Akhmetov deu o exemplo, apelando à defesa da “integridade territorial da Ucrânia”. Escreveu: “A unidade da sociedade, do mundo dos negócios e das autoridades é a nossa força.”
Logo a seguir à ocupação da Crimeia, foi selada uma aliança entre o novo governo e os oligarcas.

Não foi surpresa, foi uma viragem. Yulia Tymochenko, acabada de sair da prisão, também ela antiga oligarca, foi o pivô da manobra. Telefonou aos bilionários. O governo, muito frágil, delegou imediatamente em grandes oligarcas o governo das regiões mais sensíveis, sobretudo no Leste. Foi uma manobra de antecipação para prevenir referendos regionais separatistas.

As instituições

A Ucrânia tem uma sociedade dinâmica e culta. Mas a economia está em ruínas e muito distantes da Europa estão as suas instituições. Os ucranianos estão cansados da corrupção, do clientelismo e da ilegalidade que marcaram a era pós-soviética.

O movimento “Euro-Maidan” derrubou Yanukovych, mas não fez uma reforma política. Sem uma economia viável e instituições funcionais, a Ucrânia permanecerá altamente vulnerável às interferências de Moscou. Anunciam-se vários riscos. Um deles é a parlamentarização do regime por oposição ao autoritarismo de Yanukovych, o que ameaça paralisar o governo e a tomada de decisões numa fase crucial da sua história.

Por fim, uma má notícia para Putin: a ocupação da Crimeia mudará o mapa eleitoral ucraniano, em favor dos “ocidentalistas”. Resume um analista: “Se a Crimeia sai da Ucrânia, a Ucrânia afasta-se mais da Rússia."

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