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sábado, 5 de julho de 2014

Documentos mostram como a NSA grampeia o planeta


Relatório detalha um programa chamado RAMPART-A, que intercepta o conteúdo de chamadas telefônicas, faxes, e-mails e chamadas do Skype

Novo relatório feito pelo The Intercept e um jornal dinamarquês associado revela que a Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês), além de seu conhecido programa de espionagem das nações do Five Eyes, também possui acordos de vigilância extensos e desconhecidos com outras nações, o que permite um acesso sem precedentes ao sistema de comunicação global e à informação privada de cidadãos do mundo todo que o utilizam.

Baseado em documentos fornecidos por Edward Snowden, o relatório detalha um programa chamado RAMPART-A, que usa “pontos de congestionamento” localizados pelo mundo e permite que a agência “intercepte o conteúdo de chamadas telefônicas, faxes, e-mails, chats de internet, dados de redes privadas, e chamadas de softwares como o Skype".

A NSA não deu nenhuma declaração ao The Intercept sobre o programa RAMPART-A, mas o porta-voz da agência, Vanne Vines, ofereceu esta: “o fato de que o governo dos EUA trabalha com outras nações, sob condições especificadas e reguladas, reforça a segurança de todos. Os esforços da NSA se focam em assegurar a proteção da segurança nacional dos Estados Unidos, seus cidadãos e nossos aliados, perseguindo unicamente aparatos de inteligência estrangeiros”.

Além do seu longo alcance, o que se sustenta sobre o programa é sua força bruta. Como explicou o jornalista do Intercept Ryan Gallagher, o poder computacional do equipamento usado no RAMPART-A “permite que a NSA verificar três terabytes de dados por segundo enquanto tais dados passam pelos cabos comprometidos - o equivalente a ser capaz de baixar cerca de 5.400 filmes de alta-definição por minuto.”

Os documentos mostram que havia pelo menos 13 locais secretos para o programa pelo mundo e Gallagher detalha como estes locais coincidem com tudo o que é conhecido sobre as parcerias da NSA, muito do que foi previamente reportado e documentado no novo livro de seu colega Glenn Grenwald, No Place To Hide.

Sobre a existência de um programa “politicamente explosivo” como esse, Gallagher explica que em troca de oferecer sede a poderosas estações de escuta, os governos e agências ganham “acesso ao sofisticado equipamento de segurança da NSA, e então eles também podem espionar os dados que passam por seu território.”

Tradução de Roberto Brilhante

Fonte: Carta Maior
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Wikileaks revela plano para desregulamentação financeira mundial


Documento comercial escondido a sete chaves, se posto em prática, fará muitos países reféns das mesmas políticas econômicas desastrosas dos anos 1990

O Wikileaks publicou quinta-feira 19/06/ um documento comercial escondido a sete chaves, que se promulgado, daria ao mundo financeiro uma posição ainda mais dominante no controle da economia global, pois evitaria regulações e a prestação pública de contas.

Conhecido como TISA: Trade in Services Agreemente, o projeto representa as posições de negociação dos EUA e da União Européia e estabele as estratégias desregulatórias defendidas por alguns dos maiores bancos e firmas de investimento do mundo.

De acordo com o Wikileaks:

Apesar dos fracassos na regulação do sistema financeiro que se evidenciaram na Crise de 2007-2008 e os clamores por uma melhora de estruturas regulatórias relevantes, os proponentes do TISA pretendem desregular ainda mais o mercado financeiro global. O projeto Serviçoes Financeiros Anexos coloca regras que ajudariam a expansão de financeiras multi-nacionais - principalmente aquelas com sede em Nova Iorque, Londres, Paris e Frankfurt - na direção de outras nações com barreiras regulatórias. O projeto vazado também mostra que os EUA é particularmente a favor de aumentar o fluxo de dados transfronteiriços, o que permitiria uma troca de dados pessoais e financeiros muito maior.

As negociações do TISA já estão ocorrendo fora do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS, em inglês) e do quadro da Organização Mundial do Comércio (WTO, em inglês). No entanto, o Acordo está sendo lapidado para ser compatível com o GATS, para que uma boa parte dos participantes sejam capazes de pressionar os membros do WTO a assinar o Acordo no futuro. Entre os 50 países ausentes nas negociações estão Brasil, Rússia, Índia e China. A natureza exclusivista do TISA enfraquecerá as posições destes países em futuras negociações de serviços.

Lori Wallach, diretor do Public Citizen’s Global Trade Watch, declarou que o acordo descrito no projeto, se aprovado pelos governos nacionais, seria um desastre para quaisquer esforços regulatórios que tentassem colocar em xeque o financismo global.

Em uma declaração em resposta ao TISA liberado pelo Wikileaks esta quinta, Wallach disse:

“Se o texto vazado for posto em prática, ele reverteria as melhorias feitas depois da crise financeira global que salvaguardavam os consumidores e a estabilidade financeira, assim como nos jogaria novamente dentro do modelo extremamente desregulado dos anos 1990 que nos levou à crise e aos bilhões em perdas para os consumidores e governos.

“Este é um texto que os grandes bancos e os especuladores financeiros adorariam que pudesse causar um dano real ao resto de nós. Isto inclui um trecho chamado literalmente de “standstill” (paralisação) que proibiria os países de melhorarem a regulação financeira e os deixaria presos àquelas políticas às quais eles estiveram reféns no passado”

Tradução de Roberto Brilhante

Fonte: Carta Maior
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Deputados agem para nos empurrar transgênicos


Por Juliana Dias e José Carlos de Oliveira

Câmara Federal debate, de costas para sociedade, projetos que podem tornar ainda mais difícil identificar transgenia nos alimentos que consumimos

A questão de que as novas tecnologias poderão resolver os problemas humanos com que nos defrontamos é controversa. As tecnologias fundadas em aplicação de estudos científicos apresentam incertezas para o bem-estar humano. Apontam para aspectos negativos de difícil solução, pois têm por objetivo questões distintas do que é alardeado como grande vantagem — por exemplo, eficiência e lucro. O detentores dessas novas tecnologias tentam provar a eficácia, defendendo benefícios não inteiramente comprovados para lançar na sociedade seus produtos inovadores. O caso da transgenia serve como exemplo para indicar as implicações e compromissos entre ciência e democracia, no que diz respeito aos direitos civis e sociais dos cidadãos, bem como sua participação deliberativa.

A produção de alimentos geneticamente modificados (GM) em larga escala teve início em 1996, nos Estados Unidos (EUA), com a introdução da soja resistente a herbicidas. Entretanto, o debate a respeito desse modelo produtivo na agricultura industrial é pautado por controvérsias. A área mundial ocupada com cultivos GM atingiu 102 milhões de hectares em apenas 10 anos (SILVEIRA e BUAINAIN, 2007, p.58). Já o diálogo, na sociedade, sobre a positividade ou negatividade de seu uso, avança com dificuldades. Não há consenso entre cientistas, governos, indústrias e associações civis, os protagonistas desse enredo. Na perspectiva de Latour (2007, apud ABRAMOVAY p. 135), descrever controvérsias trata-se da capacidade de acompanhar e expor “um debate que tem por objeto, ao menos em parte, conhecimentos científicos ou técnicos ainda não assegurados”.

A decisão sobre o que colocar na lavoura, ou no prato, sofre pressões em favor da economia e da eficiência do agronegócio. Os defensores da engenharia genética em plantas comestíveis argumentam que, só por esta via, será possível alimentar os 9 bilhões de habitantes previstos para 2050 no planeta. No entanto, quando a indústria assume o compromisso de promover a segurança alimentar, a lógica que se sobrepõe é a do alimento como mercadoria, e não como direito.

As informações disseminadas não parecem conduzir à construção de um diálogo que assegure autonomia e engajamento no processo democrático. O cenário ainda é de incerteza, para prosseguir com um sistema agrícola centrado na biotecnologia. De um lado, as multinacionais prometem a melhoria na qualidade dos alimentos e a garantia da Segurança Alimentar. De outro, os agricultores apontam a perda de autonomia no exercício de plantar; a população sofre com problemas de saúde em relação ao uso de agrotóxicos, produzindo, inclusive, mortes; e o meio ambiente sofre com a deterioração do solo, entre outras ameaças (ROBIN, 2008).

As discordâncias

Um principal protagonista do enredo da indústria da biotecnologia é a multinacional Monsanto, fundada há 112 anos em St. Louis, nos EUA. Sua atuação junto aos governos, universidades e organismos internacionais é vigorosamente contestada, igualmente por cientistas, agrônomos, políticos, técnicos e, principalmente, por camponeses. A imagem da empresa representa, metaforicamente, o quão controverso é o diálogo com a sociedade. Já existem vários estudos publicados, questionando sua postura corporativa em mais de um século de existência. Desde o suprimento do herbicida conhecido como Agente Laranja para a Guerra do Vietnã à introdução de agrotóxicos para a Revolução Verde (ROBIN, 2008).

Para pontuar aspectos dessa controvérsia, fizemos um recorte cronológico com alguns fatos da trajetória da companhia em 2013, quando completou 50 anos no Brasil. No mesmo ano em que o vice-presidente de Tecnologia e cientista-chefe da Monsanto, Robert Fraley, recebe o World Food Prize (Prêmio Mundial de Alimentação, concedido por iniciativa de um empresário norte-americano) devido ao pioneirismo na área de biotecnologia, a empresa desistiu do desenvolver novas sementes GMs na União Europeia, pois há demora na aprovação de novas variedades modificadas – ela é detentora do maior número de pendências de aprovação no bloco europeu.

A demora na aprovação espelha suspeitas ainda bastante difundidas sobre a segurança, já que grupos da sociedade civil europeia temem seus impactos no ambiente e na saúde1. Pelo menos dez países europeus – Polônia, Alemanha, Áustria, Hungria, Luxemburgo, Romênia, França, Grécia, Suíça, Itália e Bulgária – já proibiram o cultivo do milho transgênico da Monsanto, o MON 8102. A decisão tem base em estudos, segundo os quais a toxina presente no organismo modificado provoca danos à minhocas, borboletas e aranhas. Provas de sua segurança para a saúde são inconclusivas3. Os efeitos colaterais para o homem e o meio ambiente ainda carecem de estudos conclusivos independentes (ROBIN, 2008; ZANONI e FERMENT, 2011; VEIGA, 2007; ANDRIOLI E FUCHS, 2012).

A empresa completou cinco décadas no Brasil com o lançamento comercial das sementes da soja Intacta RR2 Pro, primeira tecnologia desenvolvida em solo e para solo brasileiro. No mesmo 2013, mais de 50 países aderiram à “Marcha contra Monsanto” em protesto contra a manipulação genética e o monopólio da multinacional na agricultura e biotecnologia. A campanha teve como estopim o suicídio de agricultores indianos. Essa prática tem se tornado frequente devido ao endividamento para competir na agricultura industrial4.

O direito às sementes do agricultor e o direito à informação do cidadão passam por um modelo controverso, dúbio e confuso de controle e regulação, de algum modo referenciados nas leis federais em diversos países da América do Sul, da África e nos Estados Unidos. A indústria da biotecnologia vem avançando por meio da formação de um oligopólio no mercado das sementes, baseado também em um direito, o de propriedade intelectual, que torna privado o que é o público, com a natureza e a produção de conhecimento. Tudo feito em parceria com as agências governamentais. Com isso, quem planta troca a diversidade e a capacidade de selecionar seus grãos por plantas que recebem alteração genética (VEIGA, 2011, ZANONI E FERMENT, 2011).

A transnacional Monsanto está em mais de 80 países, com domínio de aproximadamente 80% do mercado mundial de sementes transgênicas e de agrotóxicos. A empresa acumula acusações em diferentes continentes, por violações de direitos, por omissão de informações sobre o processo de produção de venenos, cobrança indevida de royalties e imposição de um modelo de agricultura baseado na monocultura, na degradação ambiental e na utilização de agrotóxicos5.

A quem interessa saber?

O diálogo sobre o presente e o futuro da alimentação diz respeito aos 7 bilhões de habitantes do planeta hoje existentes. De acordo com Paulo Freire (1971b, p. 43, apud Lima 2011, p.90), “dialogar não significa invadir, manipular, ou fazer ‘slogans’. Trata-se de um devotamento permanente à causa da transformação da realidade (…). O diálogo não pode se deixar aprisionar por qualquer relação de antagonismo (…)”. A Monsanto se apresenta como uma empresa comprometida com o diálogo, o qual estabelece como base nos princípios de seu compromisso corporativo: “ouvir atentamente diversos públicos e pontos de vista, demonstrando interesse em ampliar a nossa compreensão das questões referentes à tecnologia agrícola, e a fim de melhor atender as necessidades e preocupações da sociedade e uns dos outros”.6

Ao afirmarmos que o diálogo sobre a produção de transgênicos é desencontrado, referimo-nos às ambivalências entre o discurso e a prática das empresas, dos governos, das universidades e da mídia. O processo dialógico é permeado por ruídos, omissões e abordagens unilaterais.

Um ponto flagrante na divulgação das informações para a população é que a pesquisa com transgênicos é realizada quase exclusivamente por aqueles que comercializam os produtos biotecnológicos. A preocupação é elaborar variedades com mais performance, sem se envolver na investigação de seus riscos indiretos ou diretos. A introdução dos GMs em diversas partes do mundo mostra a relação conflituosa entre ciência e democracia (APOTEKER, 2011, p. 89). As implicações vão além da dimensão cientifico-tecnológica. Estão ligadas às decisões políticas dos governos e à ética. Existe uma tensão permanente entre a demanda da sociedade e os interesses envolvidos com o fazer científico.

O direito à informação sempre esteve presente nos debates relacionados com a introdução dos transgênicos no país. Essa reinvindicação foi impulsionada pelas organizações não governamentais (ONGs) e movimentos sociais, em especial os ligados aos direitos do consumidor. “O aumento da produção amplia a importância da informação como meio de garantir aos cidadãos o poder legítimo de escolha”. (SALAZAE, 2011, p. 302).

A rotulagem de alimentos é um meio de assegurar esse direito, mas em contrapartida torna-se uma arena de conflitos entre as indústrias e os consumidores. Nos EUA, utiliza-se o critério de “equivalência substancial”, em que a semente não transgênica é posta em igualdade com a geneticamente modificada. Partindo dessa norma, não há necessidade de informar ao consumidor o tipo de grão que contém um produto alimentício. Assim, a legislação norte-americana não permite estampar o “T” (de transgênico) nos rótulos (ROBIN, 2008).

Entretanto, as associações de consumidores norte-americanas conseguiram o direito de rotular o leite com a informação “ausência de uso”, referindo-se ao hormônio rBGH, responsável por aumentar em até 30% a produção de leite. Este foi o primeiro produto nascido da engenharia genética. Após 15 anos de uso massivo na pecuária leiteira – com índices elevados de mastites nas vacas que recebiam o hormônio, aumento da quantidade de germes no leite, além do crescimento do fator IGF (responsáveis por várias enfermidades) – a população passou a ter acesso a essa informação. (APOTEKER, 2011, p. 90; COHEN, 2005).

No Brasil, o decreto federal 4.680/2003 regulamentou o direito à informação, conforme artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor (CDC), sobre alimentos que contenham acima de 1% de ingredientes transgênicos. A lei vale, inclusive, para alimentos e ingredientes produzidos a partir de animais alimentados com ração contendo GM. Em agosto de 2012, o Tribunal Regional Federal da Primeira Região, acolhendo o pedido da Ação Civil Pública proposta pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e pelo Ministério Público Federal (MPF), tornou uma exigência a rotulagem dos transgênicos independentemente do percentual e de qualquer outra condicionante. É possível identificar em diversos produtos um símbolo com a letra T (exige atenção para identificar, pois normalmente aparece com discrição nas embalagens).

Entretanto, o momento atual parece um retrocesso no que diz respeito à informação sobre a fabricação. O Projeto de Lei (PL) 4.148 (2008), de autoria do Deputado Luis Carlos Heinze, pretende retirar essa informação dos rótulos. O PL apresenta as seguintes propostas: (1) não torna obrigatória a informação sobre a presença de transgênico no rótulo se não for possível sua detecção pelos métodos laboratoriais, o que exclui a maioria dos alimentos (como papinhas de bebês, óleos, bolachas, margarinas); (2) não obriga a rotulagem dos alimentos de origem animal alimentados com ração transgênica; (3) exclui o símbolo T que hoje permite a identificação da origem transgênica do alimento (como se tem observado nos óleos de soja); (4) não obriga a informação quanto à espécie doadora do gene.

Em 2013, o PL poderia ir em votação em caráter de urgência, mas a ameaça não se confirmou. Em 29 de abril de 2014, novamente entrou eu pauta por conta de outro projeto que prevê a separação de produtos transgênicos em prateleiras de estabelecimentos comerciais (similar a uma lei estadual de São Paulo). Mas com a mobilização da sociedade civil a votação foi suspensa. Esses são alguns dos desencontros do diálogo sobre a transgenia no Brasil. O Idec está em campanha para impedir o fim da rotulagem dos transgênicos. Para participar, basta enviar uma mensagem para os deputados. É fácil e eficaz.

A soberania do discurso científico pode calar e distanciar os cidadãos de assuntos que dizem respeito ao desenvolvimento econômico, social e cultural. É necessário construir um debate público com informação e conscientização. O diálogo aprofundado, e interessado em ouvir o que a sociedade realmente tem a dizer, é de responsabilidade do governo, por meio das leis de regulamentação; das universidades públicas, com educação e formação de cidadãos críticos e participativos; dos cientistas, ao respeitar o interesse público; das ONGs, ao trazer informações para a esfera pública; e da mídia e empresas do agronegócio, que devem comunicar com mais clareza e ética7.

Como podemos observar, as novas tecnologias envolvem questões que devem ser debatidas pelos mais diversos atores sociais. A produção de alimentos GMs trouxe questões complexas, que urgem por interdisciplinaridade para construir a reflexão e propor soluções. É o caso alarmante da transição da posse das sementes, das mãos dos camponeses às das multinacionais. Outra análise imperativa é em relação aos riscos indeterminados, em longo prazo, na saúde humana e no meio ambiente.

A dificuldade para se fazer pesquisas independentes sobre a produção de transgênicos é um entrave para fundamentar as discussões no campo do direito e da cidadania. O diálogo entre os sujeitos, permeado de múltiplos valores, necessita encontrar caminhos concretos e seguros para transformar a realidade. Nesse sentido, um processo de comunicação dialógico, como nos sugere Paulo Freire, pode nutrir a sociedade com informações consistentes e o mais abrangentes possíveis. Assim, o cidadão poderá conquistar autonomia e engajamento para participar democraticamente, de forma deliberativa, de questões centrais para o presente e o futuro.
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José Carlos de Oliveira é Professor do Programa de Pós graduação do HCTE/UFRJ em “História das Técnicas” e “Ciencia, Tecnologia e Segurança Alimentar” e professor do Departamento de Engenharia Elétrica /Poli/UFRJ.

Juliana Dias é editora do site “Malagueta – palavras boas de se comer” (www.malaguetanews.com.br), mestre em Educação em Ciências e Saúde pelo NUTES/UFRJ, e doutoranda em História das Ciências, das Técnicas e Epistemologia, na UFRJ. Pesquisa sobre alimentação, cultura e sociedade, tendo como eixo as áreas da educação e comunicação. É co-líder da associação Slow Food, no Rio de Janeiro, e membro do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea-Rio).

Referências Bíbliográficas

ABRAMOVAY, R. Bem-vindo ao mundo da controvérsia. In: Transgênico: sementes da discórdia, pp 135-165. Editora SENAC SP. São Paulo, 2007.

ANDIROLI, I, A; FUCHS, R (Org.). Transgênicos: as sementes do mal – A silenciosa contaminação dos solos e dos alimentos. 2 ed. Expressão popular, São Paulo, 2012.

APOTEKER, A. Ciência e democracia: o exemplo dos OGMs. In: Transgênico para quem? Agricultura, Ciência e Sociedade, pp. 84-94. Brasília; MDA, 2011.

COHEN, R. Leite, alimento ou veneno?. Trad.: Dinah Abreu Azevedo. Editora Ground, São Paulo, 2005.

LIMA, A, V. Comunicação e cultura: as ideias de Paulo Freire. 2. Ed. Ver. Editora UNB. Brasília, 2011.

MAUSS, M. Ensaio sobre a dádiva. Forma e razão das trocas nas sociedades arcaicas. In: Sociologia e Antropologia. São Paulo: EPU, p. 37-184, 1974.

FERNANDES, G. Campanha por um Brasil ecológico livre de transgênicos e agrotóxicos: o balanço de 10 anos. In: Transgênico para quem? Agricultura, Ciência e Sociedade, pp 440-445. Brasília; MDA, 2011

ROBIN, M. O mundo segundo a Monsanto. Trad.: Cecília Lopes e Georges Kormikiaris. Radical Livros, São Paulo, 2008.

SALAZAR, L, A. A informação sobre os transgênicos no Brasil. In: Transgênico para quem? Agricultura, Ciência e Sociedade, pp 302-316. Brasília; MDA, 2011.

SILVEIRA, J, F, M, J; BUAINAIN, M, A. Resultados de avaliação de impactos: reducionismos e economiscismos à larga.In: Transgênico: sementes da discórdia, pp 57-74. . Editora SENAC SP. São Paulo, 2007.

TRIGUEIRO, A. Uma análise introdutória à noção de fato social total em Marcel Mauss. Rev. Augustus, Vol. 08, N 17, p. 9-16, Jul-Dez, Rio de Janeiro, RJ. VEIGA, E, J. Transgênico (Org.): sementes da discórdia. Editora SENAC SP. São Paulo, 2007.

ZANONI, M; FERMENT G (Org.). Transgênico para quem? Agricultura, Ciência e Sociedade. Brasília; MDA, 2011.

1 Matéria “Monsanto ‘desiste’ da União Europeia”, publicada no jornal Valor Econômico, publicada em 19 de julho de 2013.

2 Matéria Monsanto confirma que não pedirá aprovação de novas sementes na Europa, publicada em 03 de junho de 2013.

3 Revista Radis – Comunicação e Saúde, nº 69, súmula “Romênia proíbe milho da Monsanto”, disponível em http://www6.ensp.fiocruz.br/radis/revista-radis/69/sumula/romenia-proibe-milho-da-monsanto .

4 Matéria “Monsanto perde processo criminal contra movimentos sociais, publicada no site Terra de Direitos, em 25 de maio de 2013, disponível em

http://terradedireitos.org.br/biblioteca/casos-emblematicos/monsanto-perde-processo-criminal-contra-movimentos-sociais/

5 Matéria “Monsanto perde processo criminal contra movimentos sociais, publicada no site Terra de Direitos, em 25 de maio de 2013, disponível em

http://terradedireitos.org.br/biblioteca/casos-emblematicos/monsanto-perde-processo-criminal-contra-movimentos-sociais/

6 Disponível em http://www.monsanto.com.br/institucional/monsanto-no-mundo/compromisso-monsanto/compromisso-monsanto.asp

7 Palestra “Questões Éticas: Compreender as atitudes do público e da necessidade de diálogo” proferida por Phil Macnaghten, professor da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e Durham University (Inglaterra), durante o evento Mesa de Controvérsias – Transgênico, organizado pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), em julho de 2013, Brasília.

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Monsanto, a semente do diabo


A história da Monsanto “é a história da sacarina e o aspartame, do PBC, do agente laranja, dos transgênicos. Todos fabricados, ao longo dos anos, por esta empresa. Uma história de terror”, escreve a jornalista e ativista política e social Esther Vivas, em artigo publicado pelo jornal espanhol Público, 29-05-2014. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

“A semente do diabo”. Foi assim que o popular apresentador do canal estadunidense HBO, Bill Maher, em um de seus programas e em referência ao debate sobre os Organismos Geneticamente Modificados, batizou a multinacional Monsanto. Por quê? Trata-se de uma afirmação exagerada? O que esconde esta grande empresa da indústria das sementes? No último domingo, justamente, foi o dia mundial de luta contra a Monsanto. Milhares de pessoas em todo o planeta se manifestaram contra as políticas da companhia.

A Monsanto é uma das maiores empresas do mundo e a número um em sementes transgênicas. No mundo, 90% dos cultivos modificados geneticamente contam com seus traços biotecnológicos. Um poder total e absoluto. A Monsanto está na liderança da comercialização de sementes e controla 26% do mercado. Mais longe, vem a DuPont Pioneer, com 18%, e Syngenta, com 9%. Somente estas três empresas dominam mais da metade do mercado, com 53% das sementes que são compradas e vendidas em escala mundial. As dez maiores controlam 75% do mercado, segundo dados do Grupo ETC. O que lhes proporciona um poder enorme na hora de impor o que se cultiva e, consequentemente, o que se come. Uma concentração empresarial que aumentou nos últimos anos e que corrói a segurança alimentar.

A ganância destas empresas não tem limites e seu objetivo é acabar com variedades de sementes locais e antigas, ainda hoje com um peso muito significativo, especialmente nas comunidades rurais dos países do Sul. Algumas sementes nativas representam uma ameaça para as híbridas e transgênicas das multinacionais, que privatizam a vida e impedem ao campesinato de obter suas próprias sementes, convertendo-os em “escravos” das companhias privadas, sem contar o seu negativo impacto ambiental, com a contaminação de outras plantações, e na saúde das pessoas.

A Monsanto não poupou recursos para acabar com as sementes camponesas: ações legais contra agricultores que tentam conservá-las, patentes de monopólio, desenvolvimento de tecnologia de esterilização genética de sementes, etc. Trata-se de controlar a essência dos alimentos e, assim, aumentar sua cota de mercado.

A introdução nos países do Sul, em especial naqueles com vastas comunidades camponesas ainda capazes de contar com suas próprias sementes, é uma prioridade para estas companhias. Deste modo, as multinacionais da semente intensificaram as aquisições e alianças com empresas do setor, principalmente na África e na Índia. Apostaram em cultivos destinados aos mercados do Sul Global e promoveram políticas para desestimular a reserva de sementes. A Monsanto, como reconhece sua principal rival DuPont Pioneer, é a “guardiã única” do mercado de sementes, controlando, por exemplo, 98% da comercialização de soja transgênica tolerante a herbicidas e 79% do milho, como retrata o relatório “Quem controla os insumos agrícolas?”. Isso lhe dá suficiente poder para determinar o preço das sementes, independente de seus competidores.

Das sementes aos agrotóxicos

No entanto, como a Monsanto não tem condições suficientes para controlar as sementes, para fechar o círculo, também procura dominar o que se aplica em seu cultivo: os agrotóxicos. A Monsanto é a quinta empresa agroquímica mundial e controla 7% do mercado de inseticidas, herbicidas, fungicidas, etc., atrás de outras empresas, por sua vez, líderes no mercado das sementes, como Syngenta, que domina 23% do negócio dos agrotóxicos, Bayer, 17%, BASF, 12%, e Dow Agrosciences, quase 10%. Assim, cinco empresas controlam 69% dos pesticidas químicos sintéticos que são aplicados nas plantações em escala mundial. Os mesmos que vendem ao campesinato as sementes híbridas e transgênicas, também fornecem os pesticidas para aplicar. Negócio redondo.

O impacto ambiental e na saúde das pessoas é dramático. Apesar das empresas destacarem o caráter “amigável” destes produtos com a natureza, a realidade é totalmente o contrário. No momento atual, após anos de fornecimento do herbicida da Monsanto, Roundup Ready, a base de glifosato, que já em 1976 foi o herbicida mais vendido do mundo, segundo dados da própria companhia, e que se aplica às sementes da Monsanto modificadas geneticamente para tolerar dito herbicida, sabe-se que ao mesmo tempo em que este acaba com a erva daninha, várias outras tem desenvolvido resistências. Estima-se que somente nos Estados Unidos já surgiram cerca de 130 ervas daninhas resistentes a herbicidas, em 4,45 milhões de hectares de plantações, de acordo com dados do Grupo ETC. Isso levou a um aumento do uso de agrotóxicos, com aplicações mais frequentes e doses mais elevadas para combatê-las, com a conseguinte contaminação ambiental do entorno.

As denúncias de camponeses e comunidades afetadas pelo uso sistemático de pesticidas químicos sintéticos é uma constante. Na França, inclusive, o Parkinson é considerado uma enfermidade do trabalho agrícola, causado pelo uso de agrotóxicos, depois que o camponês Paul François venceu a batalha judicial contra a Monsanto, no Tribunal de última instância de Lyon, em 2012, e conseguiu demonstrar que seu herbicida Lasso era o responsável por intoxicá-lo e deixá-lo inválido. Uma sentença histórica, que permitiu um avanço na jurisprudência.

O caso das Mães de Ituzaingó, um bairro das redondezas da cidade argentina de Córdoba, rodeada de campos de soja, em luta contra as fumigações é outro exemplo. Após dez anos de denúncia, e depois de observar como o número de enfermos de câncer e crianças com malformações no bairro não parava, mas, sim, aumentava - de cinco mil habitantes, duas centenas tinham câncer -, conseguiram demonstrar a ligação entre estas enfermidades e os agroquímicos aplicados nas plantações de soja em seus arredores (endosulfan de DuPont e glifosato de Roundup Ready da Monsanto). A Justiça proibiu, graças à mobilização, a fumigação com agrotóxicos perto de áreas urbanas. Estes são apenas dois casos dos muitos que podemos encontrar em todo o planeta.

Agora, os países do Sul são o novo objetivo das empresas de agroquímicos. Enquanto as vendas globais de pesticidas caíram nos anos 2009 e 2010, seu uso nos países da periferia aumentou. Em Bangladesh, por exemplo, a aplicação de pesticidas cresceu 328% nos anos 2000, com o consecutivo impacto na saúde dos camponeses. Entre 2004 e 2009, a África e o Oriente Médio tiveram o maior consumo de pesticidas. E na América Central e do Sul se espera um aumento do consumo nos próximos anos. Na China, a produção de agroquímicos alcançou, em 2009, dois milhões de toneladas, mais do que o dobro de 2005, segundo informa o relatório “Quem controlará a economia verde?”. Business as usual.

Uma história de terror

Porém, de onde surge esta empresa? A Monsanto foi fundada em 1901 pelo químico John Francis Queeny, proveniente da indústria farmacêutica. Sua história é a história da sacarina e o aspartame, do PBC, do agente laranja, dos transgênicos. Todos fabricados, ao longo dos anos, por esta empresa. Uma história de terror.

A Monsanto se constituiu como uma empresa química e, em suas origens, seu produto estrela era a sacarina, que distribuía para a indústria alimentar, em especial, para a Coca-Cola, que foi uma de seus principais provedores. Com os anos, expandiu seu negócio à química industrial, tornando-se, nos anos 1920, um dos maiores fabricantes de ácido sulfúrico. Em 1935, absorveu a empresa que comercializava policloreto de bifenila (PCB), utilizado nos transformadores da indústria elétrica. Nos anos 1940, a Monsanto centrou sua produção nos plásticos e nas fibras sintéticas e, em 1944, começou a produzir químicos agrícolas como o pesticida DDT.

Nos anos 1960, junto com outras empresas do setor, como Dow Chemical, foi contratada pelo governo dos Estados Unidos para produzir o herbicida agente laranja, que foi utilizado na guerra do Vietnã. Neste período, juntou-se, também, com a empresa Searla, que descobriu o adoçante não calórico aspartame. A Monsanto também foi produtora do hormônio sintético de crescimento bovino somatotropina bovina. Nos anos 1980 e 1990, a Monsanto apostou na indústria agroquímica e transgênica, até chegar a se tornar a número um indiscutível das sementes modificadas geneticamente.

Atualmente, muitos dos produtos made by Monsanto foram proibidos, como o PBC, o agente laranja ou o DDT, acusados de provocar graves danos à saúde humana e ao meio ambiente. O agente laranja, na guerra do Vietnã, foi responsável por dezenas de milhares de mortos e mutilados, assim como pelo nascimento de crianças com malformações. A somatotropina bovina também está vetada no Canadá, União Europeia, Japão, Austrália e Nova Zelândia, apesar de ser permitida nos Estados Unidos. O mesmo ocorre com o cultivo de transgênicos, onipresente na América do Norte, mas proibido na maioria dos países europeus, exceto, por exemplo, pelo Estado espanhol.

A Monsanto se movimenta como peixe na água no cenário de poder. Isso ficou claro por Wikileaks, quando filtrou mais de 900 mensagens que mostravam como a administração dos Estados Unidos gastou grandiosos recursos públicos para promover a Monsanto e os transgênicos em muitíssimos países, por meio de suas embaixadas, seu Departamento de Agricultura e sua agência de desenvolvimento USAID. A estratégia consistia em conferências “técnicas”, desinformando jornalistas, funcionários e formadores de opinião, bem como pressões bilaterais para adotar legislações favoráveis e abrir mercado às empresas do setor, etc. Na Europa, o governo espanhol é o principal aliado dos Estados Unidos nesta matéria.

Enfrentamento

Diante de todo este despropósito, muitos não calam e enfrentam. Milhares são as resistências contra a Monsanto em todo o mundo. A data de 25 de maio foi declarada o dia mundial contra esta companhia e centenas de manifestações e ações de protesto foram realizados, neste dia, ao redor do globo. Em 2013, realizou-se a primeira convocação, milhares de pessoas saíram às ruas em várias cidades de 52 diferentes países, desde Hungria até Chile, passando por Holanda, pelo Estado espanhol, Bélgica, França, África do Sul, Estados Unidos, entre outros, para mostrar a profunda rejeição às políticas da multinacional. No domingo passado, dia 25, a segunda convocação, menos concorrida, contou com ações em 49 países.

A América Latina é, neste momento, uma dos principais frentes de luta contra a companhia. No Chile, a mobilização conseguiu, em março de 2014, a retirada da conhecida Lei Monsanto, que pretendia facilitar a privatização das sementes locais e deixá-las nas mãos da indústria. Outra grande vitória foi na Colômbia, um ano antes, quando a massiva paralisação agrária, em agosto de 2013, conseguiu a suspensão da Resolução 970, que obrigava os camponeses a usar exclusivamente sementes privadas, compradas de empresas do agronegócio, e impedia que guardassem suas próprias sementes. Na Argentina, os movimentos sociais também estão em pé contra outra Lei Monsanto, que se pretende aprovar no país e subordinar a política nacional de sementes às exigências das empresas transnacionais. Mais de 100.000 argentinos já assinaram contra esta lei, no marco da campanha “Não à Privatização das Sementes”.

Na Europa, a Monsanto agora quer aproveitar a fenda que se abre nas negociações do Tratado de Livre Comércio União Europeia - Estados Unidos (TTIP), para pressionar em função de seus interesses particulares e poder legislar acima da vontade dos países membros, a maioria contrária à indústria transgênica. Esperamos que não demorem as resistências na Europa contra o TTIP.

A Monsanto é a semente do diabo, sem sombra de dúvidas.

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Conheça o laboratório secreto do Pentágono


Por Camilla Costa e Bruno Garattoni

Eles inventaram a internet e o GPS. Hoje desenvolvem robôs cirurgiões, sistemas de controle da mente e a cura da obesidade. Saiba o que está acontecendo na Darpa – a divisão de alta tecnologia do Exército americano. Um lugar onde o impossível não existe.

Se você pudesse inventar qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, o que você inventaria? Uma máquina capaz de ler os pensamentos das outras pessoas? Um avião ultrarrápido, capaz de atravessar o mundo em uma hora? Ou simplesmente uma fórmula para poder comer à vontade sem engordar? Parece incrível, mas existe um laboratório tentando criar todas essas coisas, e outras tecnologias igualmente mirabolantes: a Darpa (Agência de Defesa para Projetos de Pesquisa Avançados), divisão de estudos científicos do Pentágono. Sua missão é transformar qualquer sonho tecnológico, por mais ousado que seja, em realidade. “Os nossos projetos começam quase impossíveis, depois passam a ser improváveis, e acabam se tornando inevitáveis”, disse a ex-diretora da agência, Regina Dugan, durante o evento de palestras TED. Ela anunciou que está deixando a agência para ir trabalhar numa empresa com fama igualmente inovadora: o Google.

A história da Darpa começa em 1957, quando a antiga União Soviética lançou o satélite Sputnik. O governo dos EUA ficou preocupado, porque seu próprio programa de satélites, que estava sendo tocado pelo Exército e pela Marinha, estava bem atrasado em relação aos russos. A primeira tentativa de lançamento foi um fracasso total. Isso levou os americanos a uma conclusão: era preciso criar uma agência independente, que concentrasse toda a pesquisa tecnológica militar e tivesse o máximo possível de autonomia. Nascia a Darpa - que naquela época não tinha o “D” de defesa e se chamava apenas Arpa. Mas já foi um nascimento conturbado. O presidente Dwight Eisenhower, convencido de que o programa espacial deveria estar separado das pesquisas militares, criou a Nasa – e tirou da Arpa projetos que ela tinha fundado, como os foguetes que levaram o homem à Lua entre 1968 e 1972, e o NAVSAT, programa que permitia navegar usando computadores para triangular sinais de satélite – que mais tarde deu origem ao GPS.

Esvaziada pela criação da Nasa, a Arpa virou um depósito de projetos que ninguém queria. Como um imenso computador de 250 toneladas, construído para um antigo projeto da força aérea. O diretor da agência na época, Joseph Licklider, teve a ideia de usar essa máquina em pesquisas sobre informática. E isso mudou tudo.

Em 1968, a Arpa apresentou 4 invenções bombásticas de uma só vez: o primeiro editor de texto, o primeiro mouse, o primeiro videochat e o primeiro sistema de hipertexto (os links que hoje estão presentes nas páginas da internet). Também havia uma quinta, que passou meio despercebida – uma tal “rede experimental de computadores”, que foi batizada de Arpanet e interligava as máquinas da agência. Essa rede viria a se tornar, alguns anos depois, a internet. E assim a agência desprezada, com projetos que ninguém queria, tinha criado a maior invenção do século 20. “A proposta é evitar que novidades tecnológicas possam dar vantagem a outros países”, diz Anthony Tether, diretor da Darpa de 2001 a 2009. “E nós descobrimos que a melhor maneira de fazer isso é criá-las nós mesmos.”

Metade dos projetos desenvolvidos pela agência é totalmente confidencial. A outra metade é apenas semi-confidencial – e absolutamente impressionante. Várias vezes as coisas dão errado, mas a capacidade de sonhar alto e mostrar resultados (a maioria dos projetos tem de evoluir para um protótipo em no máximo 4 anos) transformou a Darpa num dos principais centros de pesquisa do mundo. A agência tenta inventar novidades que possam, a curto ou a médio prazo, servir às forças armadas americanas. Mas, na prática, suas invenções acabam tendo um impacto muito maior e transformando a rotina de todo mundo. Sem as tecnologias desenvolvidas para a guerra, a vida em tempos de paz não seria a mesma.

Beija-flor espião

Qual é a ideia: Criar um pássaro-robô que possa filmar e fotografar uma área sem ser detectado pelo inimigo.

O que estão fazendo: A Darpa já possui um protótipo do bichinho, que é muito parecido com um beija-flor de verdade e reproduz perfeitamente os movimentos de um: voa, fica parado no ar, mergulha e sai em disparada.
Chance de dar certo: 4,5/5

Carro Transformer

Qual é a ideia: Um jipe militar que possa se transformar em helicóptero e sair voando em poucos segundos.

O que estão fazendo: As empresas americanas AAI e Lockheed Martin, parceiras da Darpa, já apresentaram ideias factíveis para o veículo e estão produzindo protótipos que serão testados ainda este ano. O jipe voador poderá driblar os dispositivos explosivos improvisados (IEDs), bombas caseiras que os insurgentes do Iraque e do Afeganistão têm o hábito de enterrar nas estradas onde passam veículos dos EUA – e que são responsáveis por 63% de todas as mortes de soldados americanos na região.

Segundo a Darpa, ele deverá ser capaz de carregar 450 quilos, incluindo armas leves e pelo menos 4 soldados, e ser fácil de pilotar. Especialistas em defesa têm questionado o projeto. Eles dizem que, mesmo que ande e voe bem, o jipe voador será alvo fácil para os insurgentes – que simplesmente passarão a usar outro tipo de arma, o lançador de granadas (RPG).
Chance de dar certo: 3/5

Avião Hipersônico

Qual é a ideia: Uma aeronave capaz de atravessar o planeta em 1 hora.

O que estão fazendo: O protótipo já existe, e se chama Falcon HTV-2. Trata-se de um avião não-tripulado que atinge Mach 20, ou seja, 20 vezes a velocidade do som (aproximadamente 25 mil km/h), o suficiente para ir de são paulo a Nova York em menos de 20 minutos. Para atingir essa velocidade, o HTV-2 utiliza um novo tipo de motor e um conceito aerodinâmico diferente: as asas são integradas à própria fuselagem, o que diminui a resistência do ar. O avião foi testado duas vezes em 2011. Em ambas, saiu do controle após alguns minutos de voo. E a Darpa decidiu abandonar o projeto – que agora deverá ser repassado à Aeronáutica dos EUA.
Chance de dar certo: 2/5

Isca para relâmpagos

Qual é a ideia: Evitar que tropas americanas sejam atingidas por raios.

O que estão fazendo: Em parceria com universidades americanas, a Darpa está desenvolvendo um sistema de foguetes antirrelâmpago. Eles são lançados do chão e funcionam da seguinte maneira. Primeiro, o soldado aponta o lançador de foguetes para uma nuvem de tempestade, visivelmente carregada. Os foguetes, que são conectados ao solo por fios de cobre, sobem e ficam pairando abaixo das nuvens – onde funcionam como para-raios, atraindo e descarregando os relâmpagos.
Chance de dar certo: 2,5/5

Capacete de controle cerebral

Qual é a ideia: Ler – e influenciar – a mente dos soldados durante o combate.

O que estão fazendo: Já existem aparelhos de estimulação magnética que interferem nos sinais elétricos do cérebro e são capazes de provocar efeitos simples, como fazer a pessoa sentir medo. A Darpa quer levar isso um passo além, e criar um capacete que possa ler os pensamentos dos soldados (algo já demonstrado, de forma primitiva, em laboratório) e interferir neles. A agência está desenvolvendo um protótipo que estimula
certas regiões do cérebro, deixando o soldado mais alerta e com menos estresse.
Chance de dar certo: 3/5

Avatar da vida real

Qual é a ideia: Robôs guerreiros que são controlados por seres humanos – e tomam o lugar deles no campo de
batalha. Mais ou menos como no filme Avatar.

O que estão fazendo: A Darpa já testou com sucesso o Petman, um robô bípede que tem 1,80 metro de altura e consegue correr, agachar e fazer flexões. Ele poderá carregar equipamentos e até portar armas, mas por enquanto desempenha uma tarefa mais prosaica: serve como manequim para testes de trajes militares. É muito provável que robôs cheguem às guerras. Mas os primeiros serão quadrúpedes como o Alpha Dog, o robô-cachorro da Darpa, que consegue transportar cerca de 180 quilos de suprimentos. A Chita, outro robô de quatro patas em desenvolvimento pela agência, acaba de bater um recorde de velocidade – conseguiu correr a 29 km/h. Ela foi criada para transportar soldados na garupa.
Chance de dar certo: 4/5

Base militar nuclear

Qual é a ideia: Instalar pequenos reatores nucleares nas bases militares americanas, para que elas se tornem
autossuficientes em energia.

O que estão fazendo: A agência está estudando alguns modelos de minireator, que seria alimentado por urânio
enriquecido a 2% – muito menos potente do que seria necessário para fazer uma bomba atômica. Isso evitaria que terroristas e exércitos inimigos tentassem invadir as bases dos EUA para roubar o combustível.
Chance de dar certo: 3/5

O robô cirurgião

Qual é a ideia: Dispensar a presença de médicos humanos no front.

O que estão fazendo: O robô médico deverá ser capaz de realizar 4 tarefas para tratar soldados feridos. Primeira: injetar contraste em uma veia e fazer uma tomografia rápida. Segunda: encontrar as costelas do paciente, espetar uma agulha no meio delas e reinflar o pulmão (caso tenha sido perfurado por estilhaços). Terceira: inserir um tubo na boca ou por fora da traqueia para ajudar na respiração do soldado. Quarta: estancar hemorragias. São coisas extremamente complexas para um robô – tanto que a conclusão do projeto só está prevista para 2025.
Chance de dar certo: 3,5/5

Interior da Terra em 3D

Qual é a ideia: Enxergar tudo o que existe no subsolo – inclusive bunkers que possam esconder inimigos dos EUA.
 
O que estão fazendo: No começo dos anos 60, a Darpa inventou tecnologias que levaram à descoberta das placas tectônicas. Agora, ela quer combinar vários tipos de sensor para gerar mapas 3D do subsolo, revelando tudo o que existe a até 5 km de profundidade. Além de encontrar bunkers, o sistema poderá tornar mais fácil prever terremotos, erupções vulcânicas e tsunamis. A nova tecnologia tem estreia prevista para 2015.
Chance de dar certo: 4/5

Cura da Obesidade

Qual é a ideia: Evitar que os soldados americanos fiquem gordos (sim, até eles sofrem com esse problema).

O que estão fazendo: Estudando o tecido adiposo marrom, um tipo de gordura que queima calorias (segundo um estudo da universidade de Quebec, até 250 calorias a cada 3 horas). O tecido adiposo marrom já existe naturalmente no corpo humano, mas em quantidade muito baixa (e suas células só ficam mais ativas em ambientes frios, quando trabalham para aquecer o corpo). A ideia dos militares é criar a gordura marrom em laboratório e implantá-la nos soldados, via injeções na barriga.
Chance de dar certo: 2,5/5

Visão eletrônica

Qual é a ideia: Permitir que o soldado possa consultar informações úteis, como mapas, sem desviar o olhar do combate.

O que estão fazendo: Desenvolvendo uma lente de contato que sobrepõe uma imagem ao olho. No centro da lente, há uma microtela circular que fica bem em cima da pupila. Funciona, mas a resolução ainda é muito baixa.
Chance de dar certo: 4/5

Detector de gases

Qual é a ideia: Monitorar o ar das cidades americanas para detectar possíveis ataques com armas químicas ou biológicas.

O que estão fazendo: A agência já possui um sistema que é capaz de detectar a presença de substâncias tóxicas mesmo em concentrações baixíssimas, a partir de 20 ppt (partes por trilhão).
Chance de dar certo: 4/5

O nome disso

A Darpa costuma dar nomes curiosos a seus projetos, em que as palavras são abre viadas para formar siglas chamativas – e engraçadinhas.

1. Nachos

Acrônimo de “Nanoscale laser systems”: um tipo de máquina que emite um feixe de laser muito pequeno.

2. Vader

Sem parentesco com o Darth, o “Vehicle and Dismount Exploitation Radar” é um sistema que permite localizar veículos no campo de batalha.

3. Crash

O projeto “Clean-slate Design of resilient, Adaptive, Secure Hosts” tenta criar computadores que sejam capazes de se recuperar sozinhos após um ataque de hackers.

4. Batmam e robin

Compreender melhor como o cérebro toma decisões. É isso o que quer o projeto “Biochronicity and Temporal Mechanisms Arising in Nature” e “Robustness of Biologically-Inspired Networks”.

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Cientista cria novo vírus da gripe H1N1 que poderia matar toda a humanidade. Uma nova pandemia está por vir?


E lá vamos nós de novo!

Assim como a pandemia da gripe suína surgiu 'coincidentemente' após os cientistas terem recriado a gripe espanhola, denominado por eles mesmos como H1N1, ou seja, é a mesma gripe.

Agora cientista cria vírus H1N1 mais forte, que escapa de proteção imunológica humana.

Estariam os eugenistas planejando uma nova pandemia de gripe para matar mais pessoas e para multiplicar o lucros das corporações farmacêuticas?

O professor Yoshihiro Kawaoka, da Universidade de Wisconsin-Madison (EUA), criou um tipo de gripe que o sistema imunológico humano não conseguiria detectar. O novo vírus geneticamente modificado é baseado no H1N1, que matou cerca de 284.000 pessoas há cinco anos.

Hoje, a maioria das pessoas tem certa imunidade à gripe H1N1, que agora é considerada uma ameaça de risco relativamente baixo. Mas Kawaoka manipulou geneticamente o H1N1 para que ele possa “escapar” dos nossos anticorpos neutralizantes. Assim, o sistema imunológico humano seria incapaz de resistir a um surto dessa gripe.

Kawaoka queria converter o H1N1 ao seu estado pré-pandemia, para analisar as mudanças genéticas envolvidas no processo. Ele diz ao jornal The Independent que já terminou seu estudo, e apresentará suas conclusões em uma revista científica. Ele também diz que seu experimento tem por objetivo monitorar mudanças no vírus H1N1 que iriam melhorar as vacinas.

Funciona assim: os vírus evoluem na natureza. É por isso que a vacina da gripe precisa ser reajustada a cada ano, e, em parte, por que você terá gripe várias vezes em sua vida. Ocasionalmente, uma mutação criará um vírus muito mais letal do que antes. Não é melhor antecipar essas mudanças, em vez de ser pego desprevenido por elas?
Riscos

Mas o óbvio poderia acontecer: este vírus poderia escapar, ou ser intencionalmente lançado por terroristas. Esse receio não é totalmente hipotético: em 1977, uma cepa de H1N1 que havia desaparecido por décadas de repente reapareceu – e provavelmente veio de um laboratório. E há vários acidentes menores: varíola em 1978, febre aftosa em 2007, e SARS em 2004.

Mas Kawaoka garante que está levando em conta os riscos:

Existem riscos em todas as pesquisas. No entanto, existem formas de mitigá-los. Assim como em toda pesquisa sobre os vírus influenza em meu laboratório, este trabalho é realizado por pesquisadores experientes, sob contenção adequada e com revisão completa e aprovação prévia do [comitê de biossegurança].

O local escolhido para a pesquisa, o Instituto de Pesquisa de Vírus Influenza em Madison (EUA), tem nível três de biossegurança – um nível abaixo de institutos que realizam pesquisas sobre o ebola. No entanto, o trabalho de Kawaoka foi realizado em um laboratório de nível dois. A Universidade alega que não há riscos.
Polêmicas

Esta não é a primeira polêmica envolvendo o trabalho de Kawaoka. Seu nome é bastante citado em notícias envolvendo vírus mutantes: seu laboratório se especializa em estudar os vírus por trás da gripe e ebola, tornando-os mais letais que na natureza.

Em junho, o laboratório de Kawaoka publicou um estudo que recriou um vírus semelhante ao da gripe espanhola de 1918, que matou milhões de pessoas em todo o mundo. O estudo foi julgado como “absolutamente louco” e “extremamente perigoso” por razões óbvias.

E em 2012, o laboratório de Kawaoka esteve envolvido em outra controvérsia: um estudo deles mostrava como algumas mutações poderiam tornar a gripe aviária mais transmissível.

Agora, resta esperar até que o estudo de Kawaoka seja publicado, para ver quais detalhes o estudo trará. O estudo sobre a gripe aviária, por exemplo, causou pânico em um painel de biossegurança nos EUA, mas revelou-se um pouco menos perigoso do que o esperado. Que nossas futuras epidemias não sejam criadas pela própria humanidade.

Fontes: GizModo - Libertar.in
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Este blog tem finalidades exclusivamente informativas e não tem como objectivo o lucro.

É importante esclarecer que este blog, em plena
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constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal.
Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a
manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a
expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação,
independentemente de censura ou licença" (inciso IX).