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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Refrigerantes estão envelhecendo suas células


De acordo com um novo estudo da Universidade da Califórnia em San Francisco (EUA), o consumo de refrigerantes açucarados está associado com o envelhecimento celular.

A pesquisa revelou que os telômeros – as unidades de proteção do DNA que ficam nas extremidades dos cromossomos nas células – eram menores nas células brancas do sangue dos participantes do estudo que relataram beber mais refrigerantes.

O comprimento dos telômeros nas células brancas do sangue – onde podem ser mais facilmente medidos – já tinha sido previamente associado com a extensão da vida humana.

Telômeros curtos foram associados com o desenvolvimento de doenças crônicas do envelhecimento, incluindo doenças cardíacas, diabetes e alguns tipos de câncer. Além disso, o encurtamento dos telômeros foi previamente ligado a dano oxidativo ao tecido, à inflamação e à resistência à insulina.

“O consumo regular de refrigerantes adoçados com açúcar pode influenciar o desenvolvimento de doenças, não só atrapalhando o controle metabólico de açúcares do corpo, mas também através de envelhecimento celular acelerado dos tecidos”, disse Elissa Epel, professora de psiquiatria e principal autora do estudo.

Os pesquisadores compararam o comprimento dos telômeros e o consumo de refrigerantes adoçados com açúcar dos participantes apenas em um único ponto do tempo, por isso afirmam que a associação encontrada não demonstra causalidade.

Um novo estudo no qual os participantes serão acompanhados por semanas em tempo real deverá investigar melhor os efeitos do consumo de refrigerantes adoçados sobre os aspectos do envelhecimento celular.

A pesquisa

Os pesquisadores mediram os telômeros do DNA armazenado de 5.309 participantes entre 20 e 65 anos sem histórico de diabetes ou doença cardiovascular, que haviam participado de uma pesquisa de saúde em curso por todo os EUA chamada de Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição, durante os anos 1999 a 2002.

O consumo médio de refrigerante adoçado com açúcar em todos os participantes da pesquisa foi de 340 ml. Cerca de 21% das pessoas relataram beber pelo menos 568 ml de refrigerante adoçado com açúcar por dia.

Os cientistas calcularam que o consumo diário de 568 ml de refrigerante foi associado com 4,6 anos de envelhecimento biológico adicional, vistos no encurtamento dos telômeros. Esse efeito sobre o comprimento dos telômeros é comparável ao efeito do tabagismo e do exercício físico regular na direção oposta, ou seja, no antienvelhecimento.

A descoberta acrescenta evidências para a lista de males associados a bebidas açucaradas, como obesidade, síndrome metabólica, diabetes tipo 2 e doença cardiovascular. Ao que tudo indica, refrigerantes também causam envelhecimento celular.

Fontes: ScienceDaily - EngenhariaÉ - Filosofia imortal
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terça-feira, 5 de agosto de 2014

Pesquisa Sugere que Existem Tratamentos Naturais para o Ebola


O medo da infecção com o vírus Ebola está se tornando tão contagioso quanto o próprio vírus com os meios de comunicação tradicionais, como a CNN, reportando que “Surto de Ebola poderia ter ‘consequências catastróficas”.

Dadas as estatísticas de mortalidade prevalecentes, talvez o medo seja, pelo menos em parte, justificado pela forma mais virulenta do vírus – o vírus Ebola Zaire – observou-se que a taxa de mortalidade de cerca de 83%, [1] e sem identificação oficial convencional ou terapia natural encontrados capazes de mitigar a morbidade e mortalidade associada à infecção a partir dele.

Na verdade, existem cinco vírus de Ebola no gênero Ebolavirus [2], sendo quatro deles conhecidos por infectar os seres humanos causando a doença do vírus Ebola, uma forma altamente letal de febre hemorrágica. Se acredita que a infecção pelo vírus do Ebola se origina de macacos ou morcegos frugívoros, e uma vez que um ser humano é infectado, a transmissão pode ocorrer através do sangue ou fluidos corporais, relação sexual, [3] e como um recente relatório de investigação revelou, através do ar.

Enquanto o sistema médico convencional reflexivamente coloca a sua fé e dinheiro em drogas e desenvolvimento de vacinas, como o NIH anunciou recentemente que vai começar um experimento antecipado sobre as vacinas contra o Ebola em setembro deste ano, muito pouca pesquisa tem sido realizada sobre a redução de riscos, mitigação ou danos pós-infecção, com o uso de produtos testados a tempo que aumentam a imunidade e/ou abordagens à base de plantas naturais. Dado o baixo risco de segurança e custo das intervenções de botânicos e baseados em alimentos, este é o lugar onde nós devemos procurar primeiro por soluções viáveis e imediatamente acessíveis. De fato, um recente estudo publicado em 2012 é uma grande promessa, tanto quanto a identificação de um caminho natural para atenuar a virulência – e, portanto, também o medo generalizado – associado ao vírus do Ebola.

Publicado na revista Archives of Virology e intitulado “A inibição do vírus de Lassa e infecção pelo vírus Ebola em células hospedeiras tratadas com genisteína inibidora da quinase e tirfostina“, pesquisadores da Universidade do Texas Medical Branch, investigaram o potencial papel terapêutico dos dois chamados ‘inibidores da quinase’ em interferir com o vírus do Ebola: 1) o composto vegetal genisteína 2) e a droga farmacêutica Tyrophostin (tirfostina).

Os autores mencionam um estudo em animais anterior mostrando que a genisteína foi capaz de reduzir os danos da infecção de um vírus que causa uma febre viral hemorrágica como o Ebola (VHF) em hamsters (o vírus Pichinde (PICV)), relatando os resultados da seguinte forma:

“A infecção dos hamsters por PIRV produz manifestações de VHF, incluindo inflamação/lesões em vários órgãos, aumento da temperatura do núcleo, perda de peso, viremia, exantema petequial, hemorragia e mortalidade. O tratamento dos animais com a genisteína inibidora da quinase levou a um aumento significativo de sobrevida e melhoria dos sinais da doença VHF [9]. Nenhum dos animais infectados tratados apresentaram quaisquer sinais adversos da doença associados com o tratamento. Portanto, este estudo serviu como um conceito de prova para a utilização de um inibidor da quinase como um terapêutico ou profilático em um modelo animal.”

Os pesquisadores procuraram identificar a genisteína e a capacidade da tirfostina de inibir a entrada viral de vários vírus conhecidos por causar febre hemorrágica, incluindo o Ebola, o vírus de Marburg (MARV), o vírus da estomatite vesicular (VSV) e o vírus de Lassa (LASV). As proteínas a partir destes quatro vírus foram modificadas para serem expressadas por um tipo especial de vírus, conhecido como o vírus da estomatite vesicular (VSV).

O estudo concluiu que tanto a genisteína quanto a tirfostina individualmente inibem a entrada destes vírus nas células, tanto através da interferência por meio da endocitose (o processo pelo qual uma célula extrai um vírus) e o desencapsulamento de proteínas (o processo pelo qual um vírus altera proteínas na superfície da célula hospedeira para ganhar a entrada). Observou-se também que um efeito sinérgico ocorreu quando a genisteína e tirfostina foram adicionadas em conjunto.

Os pesquisadores debateram as suas conclusões:

“Ao todo, estes dados demonstram que a infecção das células hospedeiras com as filovírus MARV, EBOV e o arenavírus LASV é inibida quando as células são pré-tratadas com genisteína ou tirfostina AG1478. Em ambos os casos, a inibição verificou-se ser dependente da concentração. Embora a inibição do EBOV em células pré-tratadas com 100 IM de genisteína pareceu ser ligeiramente diferente, a adição de concentrações crescentes de tirfostina AG1478 conduziu a um efeito antiviral sinérgico. Ao todo, estes dados demonstram que uma mistura de inibidores de cinase consistindo em genisteína e tirfostina AG1478 pode agir como um amplo antiviral contra o EBOV, VMDR, e LASV in vitro“.

De onde a genisteína vem?

Embora encontrada principalmente em produtos de soja, alimentos de soja fermentados, especialmente onde os micróbios benéficos causam a biotransformação do fitocomposto precursor genistin na genisteína, ela também é encontrada em grãos de fava, kudzu, café e trevo vermelho, e muitas outras plantas medicinais menos conhecidas.

Fontes: Natural Treatments - CNN: Ebola outbreak - Green Med Info - USA Today - Green Med Info - Notícias Naturais 
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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Vitaminas Sintéticas de Cereais Matinais ‘Enriquecidos’ Prejudicam as Crianças


Cereais matinais que são “enriquecidos” com imitações sintéticas de vitaminas como o zinco, niacina e vitamina A poderiam estar prejudicando crianças, diz um novo relatório do Environmental Working Group (EWG). Os pesquisadores da organização de defesa do consumidor afirmam que muitos cereais, barras de cereais e outros produtos de café da manhã comercializados para crianças contêm excessivos níveis de vitaminas sintéticas que podem prejudicar os órgãos vitais e a função imunológica a longo prazo.

A reportagem investigativa examinou especificamente os três aditivos acima mencionados, os quais são derivados sintéticos quando adicionados aos cereais matinais, para ver como os fabricantes os utilizam. A equipe examinou rótulos nutricionais de 1.556 cereais matinais e 1025 barras energéticas para analisar seu conteúdo de vitamina A, zinco e niacina, e comparar estes níveis com os valores diários recomendados.

O que eles descobriram foi que 114 marcas de cereais foram enriquecidas com níveis ou de vitamina A, ou zinco ou niacina – ou todos os três – que excedem as quantidades diárias recomendadas para adultos em 30 por cento. Da mesma forma, 27 lanches e barras energéticas foram identificados como tendo os mesmos nutrientes em níveis 50 por cento mais elevados do que a quantidade diária recomendada.

Isoladas, as vitaminas sintéticas podem atrapalhar a absorção adequada de nutrientes

A razão pela qual isto é um problema é que cada um desses nutrientes essenciais, quando consumidos em forma sintética, apresentam riscos potenciais à saúde. Muita vitamina A sintética, por exemplo, pode causar danos ao fígado, anormalidades esqueléticas, descamação da pele, e/ou perda de cabelo. E muito zinco sintético pode bloquear a absorção de cobre bio disponível, que é necessário para a função imune adequada.

Estes mesmos nutrientes que são encontrados naturalmente nos alimentos integrais são completamente inofensivos, claro. Mas quando eles são fabricados em um laboratório e injetados em alimentos processados ​​que foram despidos de seu conteúdo de nutrientes naturais – cereais matinais comerciais é um exemplo perfeito disso – os efeitos podem ser bastante diferentes.

“Os produtores de alimentos muitas vezes fortificam alimentos com grande quantidades de vitaminas e minerais para seus produtos aparentarem mais nutritivos, assim eles vão vender melhor“, explica o relatório do EWG. “Cereais matinais enriquecidos são a principal fonte de ingestão excessiva, porque todos os três nutrientes são adicionados aos alimentos fortificados em quantidades calculadas para adultos, não crianças“.

Todas as vitaminas dos alimentos são seguras para o consumo em níveis elevados

Embora o relatório do EWG não faça uma distinção clara entre vitaminas integrais baseadas em alimentos e imitadores químicos comumente adicionados aos alimentos processados, a avaliação demonstra claramente que as vitaminas sintéticas são o problema. Porque elas não têm os co-fatores necessários para o metabolismo adequado, vitaminas sintéticas tendem a tributar o corpo, em vez de alimentá-lo.

“A exposição excessiva aos nutrientes enriquecidos é resultado do marketing sem escrúpulos, falha da rotulagem nutricional e política de enriquecimento desatualizada“, acrescenta o relatório do EWG. “O atual sistema de rotulagem nutricional coloca a saúde das crianças em risco e necessita urgentemente de uma reforma.”

Você pode ler o relatório completo do EWG aqui: Static ewg.org

Novamente, é importante notar que estes resultados dizem respeito às vitaminas sintéticas quando adicionadas em excesso nos alimentos processados, e não para alimentos integrais que são naturalmente ricos em vitaminas. Os resultados também não estão relacionados com suplementos alimentares integrais à base de vitaminas derivadas de alimentos reais, mas sim a produtos químicos sintéticos.

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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Celular deve matar mais que o cigarro, diz médico


O uso do celular deve matar mais que o cigarro em alguns anos, segundo estudo de um médico australiano publicado na internet.

Vini Khurana, um neurocirurgião que recebeu 14 prêmios em 16 anos, pede que a população use o aparelho o mínimo possível, principalmente quando se trata de crianças. O médico analisou cerca de cem trabalhos científicos publicados sobre o tema para chegar às suas conclusões. 

Segundo ele, há ao menos oito estudos clínicos que indicam uma ligação entre o uso de celulares e certos tipos de tumor no cérebro. "Já há previsões de que esse perigo tenha mais ramificações para a saúde pública do que o amianto ou o fumo. Isso gera preocupações para todos nós, especialmente com a geração mais nova", afirma Khurana, que é professor de neurocirurgia na Faculdade Nacional de Medicina da Austrália, no estudo.

A comparação entre as mortes causadas por cigarro e por celular se deve ao fato de, atualmente, cerca de três bilhões de pessoas usarem esses aparelhos, número três vezes maior que o de fumantes, afirmou ele ao jornal "The Independent".

Processo lento

Para Khurana, ainda não há mais dados sobre o assunto pelo fato de a intensificação no uso dos celulares ainda ser recente. Ele afirma que o período de "incubação" --tempo entre o início da utilização do aparelho e o diagnóstico do câncer em um indivíduo-- dura de dez a 20 anos.


"Entre os anos de 2008 e 2012, nós teremos atingido o tempo apropriado para começar a observar definitivamente o impacto dessa tecnologia global nos índices de câncer de cérebro", diz ele. 

Para evitar o problema, Khurana sugere, entre outras medidas, que as pessoas evitem ao máximo o uso do celular, dando preferência ao telefone fixo. Ele pede também moderação no uso de Bluetooth e de headsets (fone de ouvido com microfone) sem fio.

Outra dica, de acordo com o médico, é usar o viva-voz para falar, mantendo o celular a pelo menos 20 cm da cabeça. Em janeiro deste ano, o governo francês pediu "prudência" no uso de celular pelas crianças, apesar de não ter dados científicos que comprovem os malefícios do aparelho para a saúde.

O ministério pediu que as "famílias sejam prudentes e saibam usar estes aparelhos", lembrando que é recomendado o uso moderado do celular, principalmente pelas crianças, "que são mais sensíveis porque seus organismos ainda estão em desenvolvimento".

Fonte: Alimentação Viva
Via: Revellati Online
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terça-feira, 10 de junho de 2014

Cuidado! Muitos Repelentes contra Insetos Possuem Químicos Perigosos Usados na Guerra do Vietnã


Notícias Naturais

Originalmente formulado pelo Exército dos EUA, este produto químico é usado agora em um terço dos lares americanos e foi usado durante a guerra do Vietnã ao lado dos produtos químicos agora proibidos como o Agente Laranja e DDT.

O produto químico, N, N-dietil-m- toluamida, ou Deet, foi usado como um elemento para espantar insetos em soldados que serviram nas selvas do Vietnã. Agora disponível comercialmente, o Deet está sob uma pesquisa minuciosa por causar toxicidade aguda, reações alérgicas, cicatrizes e até mesmo o inchaço do cérebro que leva à morte.

A fabricante número um de Deet, a Morflex Inc. estima que as pessoas já utilizam mais de 200 produtos químicos do tempo de guerra em seus repelentes de insetos domésticos.

Os herbicidas do Agente Laranja são mais facilmente absorvidos na presença de Deet

O herbicida 2,4-D, um dos principais componentes do Agente Laranja, age como um disruptor endócrino em humanos. O 2,4-D é mais facilmente absorvido pelo organismo na presença de DEET. Foi o químico 2,4,5-T que levou à proibição do Agente Laranja, mas é o Deet que torna o Agente Laranja mais penetrante no corpo humano.

O Deet atravessa placenta de coelhos, infiltrado em cursos d'água nos EUA

Em testes de campo da EPA, o Deet foi encontrado em pequenas concentrações em 75 por cento dos cursos de água testados nos EUA. O químico se decompõe em luz solar, mas decompõe-se muito lentamente no solo. Em testes envolvendo coelhos, o Deet entrou a pele do mamífero e até passou pela placenta das coelhas prenhas!

A Academia Americana de Pediatria está preocupada com o Deet sendo usado em crianças e adverte os pais para não expor os menores de dois meses de idade ao produto químico .

Reações adversas do Deet incluem inchaço do cérebro que leva à morte

O Instituto Nacional de Saúde adverte que mesmo os adultos, especialmente o pessoal militar e guardas de caça, podem desenvolver reações cutâneas graves incluindo bolhas, ardor e cicatrizes. O uso a longo prazo nessas carreiras podem provocar alterações de humor e insônia.

Em alguns casos documentados, o Deet causou a morte depois de provocar certas reações adversas. A EPA adverte que o Deet pode causar problemas agudos no fígado e edema cerebral em indivíduos com problemas de metabolismo de amônia. Nesses distúrbios do ciclo da ureia, que ocorrem em cerca de 1 a cada 20.000 nascimentos, o cérebro de um indivíduo pode inchar quando exposto ao Deet, causando a morte.

Sete empresas distribuem mais de 225 produtos com Deet na América

Nos EUA, há pelo menos 225 produtos contendo DEET. Apenas sete empresas enchem o mercado de químicos, com a SC Johnson, Cutter, Sawyer e Ultrathon liderando as vendas. Os 225 sprays repelentes de insetos são realmente uma ilusão corporativa da escolha que distribuem massivamente o mesmo químico tóxico. A boa notícia é - existem outras opções seguras para repelir insetos que não representam uma ameaça para a saúde humana.

O Deet deveria ser comercialmente acessível?

Apesar de ser importante para evitar doenças transmitidas pelos mosquitos que transmitem a malária e a doença de Lyme, um produto químico tóxico como Deet seria a resposta? Quão poderosos os óleos essenciais naturais de eucalipto limão, neem, cedro e citronela podem ser mais eficazes e mais seguros? Esses óleos vegetais podem ser utilizados em concentrações mais elevadas sem representar reações potencialmente fatais.

A Agência de Saúde Pública do Canadá baniu as combinações de filtro solar contendo DEET e restringe produtos sprays contra insetos que contenham mais de 30 por cento de Deet.

O Deet deveria ser comercialmente acessível em concentrações elevadas quando tem sido documentado causar reações adversas que levam à morte?

Mosquito da dengue criou resistência a repelente, diz pesquisa

Uma pesquisa conduzida por cientistas no Reino Unido revelou que o mosquito da dengue aparentemente desenvolveu resistência a um princípio ativo presente na maioria dos repelentes atualmente comercializados no mundo, inclusive no Brasil.

A substância, conhecida como DEET, ou dietiltoluamida, é largamente empregada em repelente contra insetos, combatendo mosquitos, pernilongos, muriçocas e borrachudos. O composto age interferindo nos receptores sensoriais desses animais, inibindo seu desejo de picar o usuário.

O estudo, divulgado pela publicação científica Plos One, analisou a reação de mosquitos da espécie Aedes aegypti, vetores da dengue e da febre amarela, à substância. Os cientistas concluíram que, ainda que inicialmente repelidos pelo composto químico, os insetos depois o ignoraram.

Eles recomendaram que governos e laboratórios farmacêuticos realizem mais pesquisas para encontrar alternativas à DEET.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dengue é hoje a doença tropical que se propaga mais rapidamente no mundo. Nos últimos 50 anos, sua incidência aumentou 30 vezes, o que pode transformá-la em uma pandemia, advertiu o órgão.

Isca

Para provar a eficácia da DEET os cientistas pediram a voluntários que aplicassem repelente com DEET em um braço e soltaram mosquitos.

Como esperado, o repelente afastou os insetos. No entanto, poucas horas depois, quando ofereceram aos mesmos mosquitos uma nova oportunidade de picarem a pele, os cientistas constataram que a substância se mostrou menos eficiente.

Para investigar os motivos da ineficácia da DEET, os pesquisadores puseram eletrodos na antena dos insetos.

"Nós conseguimos registrar a resposta dos receptores na antena dos mosquitos à DEET, e então descobrimos que os mosquitos não eram afetados pela substância", disse James Logan, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, instituição que realizou o estudo.

"Há algo sobre ter sido exposto ao composto químico pela primeira vez que muda o sistema olfativo dos mosquitos. Ou seja, a substância parece mudar a capacidade dos mosquitos de senti-la, o que a torna menos eficiente", acrescentou.

Uma pesquisa anterior feita pela mesma equipe descobriu que as mudanças genéticas em uma mesma espécie de mosquito podem torná-los imunes à DEET.

"Os mosquitos evoluem muito rapidamente", disse ele. "Quanto mais nós pudermos entender sobre como os repelentes funcionam e os mosquitos os detectam, melhor poderemos trabalhar para encontramos soluções para o problema quando tais insetos se tornarem resistentes à substância".

O especialista acrescentou que as descobertas não devem impedir as pessoas de continuarem usando repelentes com DEET em áreas de alto risco, mas salientou que caberá aos cientistas tentar desenvolver novas versões mais efetivas da substância.

Para complementar o estudo, os pesquisadores britânicos agora planejam entender por quanto tempo o efeito dura depois da primeira exposição ao composto químico.

A equipe também deve estudar o efeito em outros mosquitos, incluindo espécies que transmitem malária.

Brasil

No Brasil, a dietiltoluamida está presente na maioria dos repelentes encontrados à venda. Produtos com termetrina e citronela também podem ser achados, mas em menor número.

Não é a primeira vez, entretanto, que a substância causa polêmica.

No ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu à consulta popular uma proposta de resolução para assegurar a segurança e a eficácia dos repelentes a ser adotada pelos fabricantes.

No documento, cujo objetivo era disciplinar o comércio desse tipo de produto, o órgão determinava, por exemplo, a proibição do uso de repelentes com DEET em crianças menores de dois anos, além de informar sobre a necessidade de um estudo prévio para produtos com dosagem acima de 30% para um público acima de 12 anos. Em altas dosagens, especialmente em crianças, repelentes com DEET podem ser tóxicos.

Em entrevista à BBC Brasil, Jorge Huberman, pediatra e neonatologista do Hospital Albert Einstein e diretor do Instituto Saúde Plena, sugeriu alternativas ao uso de repelentes com DEET.

"É comum que depois de algum tempo os mosquitos adquiram certa imunidade ao produto, ainda que sejam necessários mais estudos para comprovar tal tese", explicou.

"Como alternativa, as pessoas podem usar repelentes com citronela e tomar complexo B, cujo cheiro desagrada os mosquitos, além, é claro, de usar mosquiteiros", disse.

Conceito

Repelente é toda substância que atua formando um vapor com odor repulsivo aos insetos.

Podem ser sintéticos e naturais.

Podem ser apresentados em aerossol, gel, loção e spray.

Princípio Ativo

Deet:

É o mais comercializado atualmente.

Quanto maior a concentração, mais longa é a duração da proteção (até 35-50%).

A concentração máxima para crianças de 6 meses a 12 anos é controversa. A Sociedade Canadense de Pediatria preconiza até 10% de DEET, mas a Sociedade Americana de Pediatria permite o uso até 30% em maiores de 2 anos.

Existe um consenso: não deve ser usado antes dos 6 meses de idade.

No Brasil, a maioria dos produtos destinados a crianças e adultos contém DEET< 10% (ver tabela abaixo)

Icaridina

É o mais eficiente atualmente disponível.

Em concentração de 10% confere proteção por 3 a 5 horas. Em 20%, de 8 a 10 horas.

Sua ação é comparável a concentrações de 15 a 50% de DEET.

Recomendado para crianças com mais de 2 anos.

IR 3535

Pode ser usado na gestante e em crianças a partir de 6 meses.

Estudos evidenciaram tempo médio de proteção curto.

Óleos naturais

São os mais antigos repelentes conhecidos.

São altamente voláteis e , portanto, com efeito de curta duração.

Óleo de eucalipto-limão a 30% - é comparável ao DEET 20%. Confere proteção de até 5 horas.

É o mais recomendado dos óleos naturais.

* Óleo de soja a 2% - efeito de 94,6 min, mas possui um efeito mecânico adicional de repelência;
* Óleo de citronela a 5 a 100% - por ser muito volátil, confere proteção de 20 min a 2 horas;
* Óleo de andiroba puro (100%) – efeito repelente discreto.


Fontes: Notícias Naturais - Natural News - Arun Thai Natural
- EPA: Diethyltoluamide (DEET) (PDF) - National Geographic
- Briassoulis, G., et al. 2001. "Toxic encephalopathy associated with use of DEET insect repellents: a case analysis of its toxicity in children." Hum.Exp.Toxicol. 20(1):8-14. - NPIC: What is 2,4-D? (PDF) - UOL - Dra. Iana Rodrigues: Repelente - A Nova Ordem Mundial
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Álcool: A droga liberada que mata 1 pessoa a cada 10 segundos no mundo


O álcool mata cerca de 3,3 milhões de pessoas no mundo a cada ano, ou cerca de uma pessoa a cada 10 segundos, de acordo com um comunicado da OMS.

Essa taxa é maior do que as mortes causadas pela AIDS, a tuberculose e a violência combinados.

De acordo com o "Relatório mundial sobre álcool e saúde de 2014", 5,9% das mortes no mundo são atribuídas ao álcool. O que é ainda mais assustador é que 7,6% de todas as mortes envolvem homens. Essa é uma quantidade enorme, considerando que essa é uma droga legal e comercializada com muita facilidade.

É preciso mudar esse quadro: como o relatório afirma, o abuso de álcool é uma pandemia global e os governos precisam tomar medidas para proteger seus cidadãos. As melhores soluções pensadas são o aumento dos impostos, aumento da idade legal para beber e melhorar a regulamentação do comércio de bebidas alcoólicas. A OMS também chama a atenção dos governos para realizarem campanhas nacionais de sensibilização e prestação de serviços no tratamento para alcoólatras.

"Algo a mais precisa ser feito para proteger a população contra as consequências negativas que o álcool tem para a saúde", diz o Dr. Oleg Chestnov, diretor-geral adjunto de doenças não transmissíveis e saúde mental. "O relatório mostra claramente que não há espaço para complacência quando se trata de reduzir o uso nocivo do álcool".

A maioria das mortes por álcool provém de doenças cardiovasculares e diabetes, mas também há a cirrose e a fragilidade do sistema imunológico. A outra porcentagem de 17,1% de todas as mortes relacionadas ao álcool envolvem acidentes de trânsito ou ainda à violência induzida pela bebida.

Regionalmente falando, a OMS aponta que, com o aumento da riqueza global, as nações como Índia e China estão tendo as maiores taxas de consumo de bebida alcóolica, possuindo cada vez mais vítimas dessa droga. Entretanto, a Europa Oriental e a Rússia, batem recordes no exagero. Homens na Rússia chegam a beber em média 32 litros de álcool puro por ano, quase o dobro da média de um consumidor em todo o resto do mundo.

Avaliando esses dados, o preconceito com outras drogas chega a ser antiquado e ínfimo. Incapacidade de reduzir o uso, consequências alarmantes para o indivíduo que consome e para toda uma sociedade são apenas alguns dos argumentos usados para drogas que, em grande parte dos países, são consideradas ilegais.

No entanto, o álcool, mesmo com todos esses índices, é legal, e os governos federais e estaduais dedicam uma atenção exagerada para prevenir as pessoas desse uso de outras drogas. Se os países estão tão empenhados em combater o abuso de substâncias, então o álcool seria um alvo óbvio.

Já houve tentativas, mas não tiveram muito sucesso. É preciso uma campanha com mais ênfase e uma reeducação das pessoas com relação ao consumo de bebidas alcóolicas e colocar um maior controle sobre isso, afinal, elas também são drogas, que mudam a vida de um indivíduo e afeta a vida de toda a sociedade. 

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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Coca-Cola e Pepsi Substituem o Tóxico BVO por Outro Produto Químico: Isobutirato de Acetato de Sacarose (SAIB)


Após uma campanha pública a Coca-cola cedeu e retirou o produto tóxico e potencialmente cancerígeno de suas bebidas. O que poucos sabem e o que a mídia parece ignorar é que o BVO foi substituído por outro produto tóxico, o isobutirato de acetato de sacarose (SAIB), que em estudos mostrou aumentar o tamanho do fígado e elevar a atividade da fosfatase alcalina.

A Coca-Cola e a Pepsico já anunciaram que estão removendo o óleo vegetal bromado (BVO) de suas bebidas depois de uma campanha sustentada pela mídia social que protestou contra a prática. O óleo vegetal bromado é um retardante de chamas, e normalmente é feito a partir de derivados de milho ou soja geneticamente modificados ligados a um átomo de bromo.

Todos os átomos de bromo são disruptores endócrinos, como o flúor e o cloro (eles estão todos na mesma coluna na tabela de elementos). Eles também podem interferir na absorção de iodo pela tireoide, tecido mamário e tecido da próstata, causando deficiências nutricionais que podem promover o câncer.

Se você andou bebendo Mountain Dew, Gatorade, Fanta ou outras bebidas similares feitos pela Coca-Cola ou Pepsi, você tem bebido óleo vegetal bromado.

Na internet estão aplaudindo alto a remoção do BVO nestas bebidas, mas quase ninguém parece estar ciente de que eles estão substituindo-o por: isobutirato de acetato de sacarose.

BVO sendo substituído por isobutirato de acetato de sacarose

A ideia de remover todas as substâncias químicas sintéticas de seus produtos, aparentemente, nunca ocorreu a Coca-Cola e a Pepsi. Seus produtos, não obstante, estão cheios de adoçantes artificiais e outros produtos químicos, e verifica-se que eles precisam usar produtos químicos emulsificantes para evitar que todos os seus ingredientes químicos se separem.

Então, agora eles estão se voltando para o isobutirato de acetato de sacarose (SAIB), uma substância química que todos nós esperamos ser mais segura do que o BVO. Mas um estudo publicado na revista Food and Chemical Toxicology descobriu que os cães alimentados com este produto químico mostraram fígados dilatados e função da enzima hepática alterada: (1)

Estudos preliminares de toxicidade de curto prazo do isobutirato de acetato de sacarose (SAIB) no cão demonstraram que a adição deste aditivo na dieta foi associado com um aumento do tamanho do fígado e atividade da fosfatase alcalina elevada sem qualquer evidência de alterações patológicas...

O isobutirato de acetato de sacarose é produzido pela Eastman Chemical Company (2), a qual descreve a substância química como um "emulsificante ou agente de estabilizador de emulsões de para evitar a separação de óleos essenciais de citrinos. Também é usado como um fixador de perfume e para proporcionar resistência à transferência de batom."

Estudos científicos mostram que o Isobutirato de Acetato de Sacarose (SAIB), quando ingerido por seres humanos, é em grande parte exalado através da respiração, indicando que o produto químico entra na corrente sanguínea ao ser ingerido por via oral e, em seguida, faz o seu caminho para os pulmões. (3)

Se você bebe bebidas feitas em fábricas, você está ingerindo produtos químicos

Conclusão nesta história? Mesmo quando empresas como a Coca-Cola e a Pepsi são forçadas pela pressão pública a remover um produto químico tóxico em seus produtos, eles simplesmente o substituem por um outro produto químico sintético. De qualquer forma, você ainda está bebendo produtos químicos sintéticos.

O fato de que os consumidores bebem Gatorade é absolutamente um triste comentário sobre o declínio da civilização moderna e o estado horrível do tóxico suprimento alimentar. Em vez bebidas frescas, sucos naturais que fornecem nutrientes à base de plantas, milhões de pessoas bebem sintéticos, bebidas esportivas artificiais feitas em fábrica cheios de produtos químicos sintéticos e corantes artificiais.

E apenas quando o público levanta preocupações sobre um ingrediente tóxico que os fabricantes fazem alguma alteração. Mas mesmo essas mudanças só substituem um ingrediente químico tóxico por outro.

Isto é como, dia após dia, milhões de consumidores são envenenados em um estado degenerado de doença crônica com alimentos e bebidas, processadas e sintéticas.

Referências:

(1) NCBI: Subchronic toxicity studies of sucrose acetate isobutyrate (SAIB) in the rat and dog.

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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Porque é que artigos que revelam dados negativos sobre fármacos não são apresentados?


Nota: as afirmações deste artigo, são da autoria de Ben Goldacre, o médico que escreveu o livro «Farmacêuticas da Treta».

A reboxetina é um fármaco que eu próprio receitei. Como os outros medicamentos não tinham resultado nesse doente em particular, quisemos experimentar qualquer coisa nova. Tinha lido os dados do ensaio antes de escrever a receita e só descobrira testes bem concebidos, imparciais, com resultados esmagadoramente positivos.

A reboxetina era melhor do que o placebo e tão boa como qualquer outro antidepressivo em comparações directas um a um. O seu uso foi aprovado pela MHRA (Medicines and Healthcare products Regulatory Agency), a agência que regula todos os fármacos no Reino Unido.

Todos os anos são receitadas milhões de doses desse fármaco em todo o mundo. A reboxetina era claramente um tratamento seguro e eficaz. O doente e eu discutimos brevemente a evidência e concordámos em que era o tratamento adequado a tentar a seguir. Assinei um pedaço de papel, uma receita, que afirmava que queria que o meu doente tomasse esse fármaco.

No entanto, fomos ambos induzidos em erro. Em Outubro de 2010, um grupo de investigadores conseguiu finalmente juntar todos os ensaios alguma vez realizados sobre a reboxetina. [1]

Num longo processo de investigação — procurando em revistas académicas, mas também solicitando arduamente dados aos fabricantes e recolhendo Documentos provenientes de reguladores —, conseguiram juntar todos os dados, tanto dos ensaios que foram publicados como dos que nunca apareceram em artigos académicos.

O tratamento em conjunto de todos estes dados de ensaios produziu uma imagem chocante. Tinham-se realizado sete ensaios que comparavam a reboxetina com um placebo. Só um, abrangendo 254 doentes, tinha um resultado positivo claro, e foi esse que foi publicado numa revista académica, para ser lido por médicos e investigadores.

Os restantes seis ensaios, abrangendo dez vezes mais doentes, demonstravam todos que a reboxetina não era melhor que um comprimido inerte. Nenhum deles foi publicado. Eu não fazia ideia de que existiam.

Mas as coisas pioraram. Os ensaios que comparavam a reboxetina com outros fármacos produziam uma imagem exactamente idêntica: três pequenos estudos, abrangendo um total de 507 doentes, mostravam que a reboxetina era tão boa como qualquer outro fármaco. Foram todos publicados.

No entanto, dados abrangendo 1657 doentes ficaram por publicar, dados esses que mostravam que os doentes a tomar reboxetina passavam pior do que os que tomavam outra medicação. Como se tudo isto não bastasse, ainda havia os efeitos secundários.

O medicamento fazia boa figura nos ensaios publicados na literatura académica; mas, quando se analisavam os estudos não publicados, verificava-se que os doentes que estavam a tomar reboxetina apresentavam, em comparação com os que tomavam outros medicamentos, maiores probabilidades de sofrer de efeitos secundários, de deixar de tomar o medicamento e de abandonar o ensaio devido a esses efeitos.

Se alguma vez duvidar dos motivos que me levam a ficar furioso com as histórias que conto no livro «Farmacêuticas da Treta» — e juro que, aconteça o que acontecer, me restringirei aos dados e me esforçarei por dar uma imagem imparcial de tudo o que sabemos —, basta-lhe reflectir nesta história.

Fiz tudo o que se esperava que um médico fizesse. Li todos os artigos, apreciei-os criticamente, compreendi-os, discuti-os com o doente e tomámos uma decisão juntos, baseados na evidência. Nos dados publicados, a reboxetina era um medicamento seguro e eficaz. Na realidade, não era melhor do que um placebo, e pior do que isso, fazia mais mal do que bem.

Como médico, após ter pesado toda a evidência, fiz algo que causou dano ao meu doente, simplesmente porque houve dados que não eram lisonjeiros que ficaram por publicar.

Se achar esta situação surpreendente ou escandalosa, estamos apenas no princípio da jornada. Porque ninguém infringiu qualquer lei, a reboxetina ainda é comercializada e o sistema que permitiu que tudo isto acontecesse ainda vigora, para todos os fármacos, em todos os países do mundo.

Os dados negativos estão em falta, para todos os tratamentos, em todos os domínios da Ciência. Os reguladores e os organismos profissionais que deveriam erradicar este tipo de práticas faltaram aos seus compromissos para connosco.

Em poucas páginas, percorreremos a literatura que demonstra tudo isto sem margem para dúvidas, mostrando que o «enviesamento de publicação» — o processo pelo qual os resultados negativos ficam por publicar — é endémico em toda a medicina e em todo o mundo académico, e que os reguladores não fizeram nada contra isto, apesar de décadas de dados que expõem a dimensão do problema.

Mas antes de chegarmos a essa investigação, como preciso que o leitor se dê conta das suas implicações, temos de reflectir sobre a importância dos dados em falta.

A evidência é a única possibilidade que temos de saber se alguma coisa resulta, ou não, em medicina. Progredimos testando coisas, o mais cautelosamente possível, em ensaios comparativos, e reunindo toda a evidência.

Este último passo é crucial: se escondo do leitor metade dos dados, é muito fácil para mim convencê-lo de algo que não é verdade. Se lanço uma moeda cem vezes, por exemplo, mas só o informo das vezes em que saiu caras, posso convencê-lo de que a moeda tem caras nas duas faces.

Mas isso não quer dizer que tenho realmente uma moeda com duas caras: quer dizer que estou a induzi–lo em erro e que o leitor é um tolo por me deixar fazê-lo. É exactamente a situação que toleramos, e sempre tolerámos, em medicina. Os investigadores são livres de realizar todos os ensaios que quiserem e, depois, escolhem os que publicam.

As repercussões desta situação vão muito além dos erros em que os médicos são induzidos sobre os benefícios e danos das intervenções nos doentes, e muito além dos ensaios. A investigação médica não é uma ocupação académica abstracta: é sobre pessoas pelo que, sempre que não publicamos uma peça de investigação, expomos gente real, viva, a sofrimentos desnecessários e evitáveis.

TGN1412

Em Março de 2006, seis voluntários chegaram a um hospital de Londres para participar num ensaio. Era a primeira vez que se ministrava a humanos um novo fármaco chamado TGN1412, e cada um dos voluntários recebia 2000 libras. [2] 

No espaço de uma hora, os seis homens ficaram com dores de cabeça, dores musculares e mal-estar geral. Depois as coisas pioraram: temperaturas altas, agitação, períodos em que se esqueciam de quem eram e de onde estavam. Não tardaram a ter calafrios, rubores, pulsação acelerada, quebra da tensão arterial.

A seguir tudo se precipitou: um entrou em insuficiência respiratória, com os níveis de oxigénio no sangue a diminuírem rapidamente à medida que os pulmões se enchiam de líquido.

Ninguém soube porquê. Outro teve uma brusca quebra de tensão, para apenas 65/40, deixou de respirar em condições e foi levado apressadamente para uma unidade de cuidados intensivos, anestesiado, entubado e ligado a uma máquina de ventilação.

No espaço de um dia, os seis estavam muito mal: líquido nos pulmões, dificuldades respiratórias extremas, rins a funcionarem mal, o sangue a coagular descontroladamente e os glóbulos brancos a desaparecerem.

Os médicos atulharam-nos de tudo o que podiam: esteróides, anti-histamínicos, bloqueadores dos receptores do sistema imunitário. Todos os doentes estavam a ser ventilados nos cuidados intensivos.

Deixaram de produzir urina; foram postos em diálise; o sangue foi substituído, primeiro devagar e depois rapidamente; necessitavam de plasma, de glóbulos vermelhos, de plaquetas. As febres persistiam.

Um contraiu pneumonia. E, depois, o sangue deixou de chegar à periferia. Os dedos das mãos e dos pés ficaram vermelhos, castanhos e depois pretos, começaram a apodrecer e a morrer. Num esforço heróico, escaparam todos, conservando, pelo menos, a vida.

O Departamento de Saúde britânico convocou um grupo de especialistas para tentar compreender o que se passara, tendo surgido duas preocupações. [3]

Em primeiro lugar: podemos impedir a repetição de situações destas? É pura idiotice ministrar, num ensaio pioneiro em humanos, um novo tratamento experimental a todos os participantes ao mesmo tempo se esse tratamento é uma quantidade completamente desconhecida.

Os novos medicamentos devem ser ministrados aos participantes num processo faseado, lentamente, ao longo de um dia. Esta ideia foi acolhida com bastante atenção pelos reguladores e os média.


Não se passou o mesmo no que toca à segunda preocupação: teríamos podido prever este desastre? A TGN1412 é uma molécula que se liga a um receptor chamado CD28 nos glóbulos brancos do sistema imunitário. 

Era um tratamento novo e experimental, o modo como interferia com o sistema imunitário estava mal estudado, e a aplicação de modelos animais era difícil (ao contrário da tensão arterial, por exemplo, porque os sistemas imunitários variam muito consoante as espécies).

Mas, como se descobriu no relatório final, já tinha havido uma experiência com uma intervenção semelhante: só que nunca fora publicada. Um investigador testara a hipótese sem publicar os dados, num estudo que realizou num único sujeito humano dez anos antes, utilizando um anticorpo que se ligava aos receptores CD3, CD2 e CD28.

Os efeitos desse anticorpo assemelhavam-se aos da TGN1412, e o indivíduo sujeito ao teste tinha passado mal.

Mas ninguém teria podido sabê-lo porque esses resultados nunca tinham sido partilhados com a comunidade científica. Permaneceram por publicar, desconhecidos, quando teriam podido ajudar a salvar seis homens de uma provação terrível, destruidora e evitável.

Esse investigador não podia prever os danos específicos para os quais contribuiu, e é difícil responsabilizá-lo individualmente porque funcionava integrado numa cultura académica onde não publicar dados era considerado absolutamente normal. Essa mesma cultura mantém-se nos nossos dias.

O relatório final sobre a TGN1412 concluía que era essencial partilhar os resultados de todos os ensaios pioneiros em humanos: deveriam ser publicados, sem excepção, como rotina. Mas os resultados dos ensaios da fase 1 não eram publicados nessa altura e continuam a não ser publicados hoje.

Em 2009, pela primeira vez, foi publicado um estudo que analisava especificamente quantos desses ensaios pioneiros em humanos são publicados e quantos permanecem escondidos. [4]

Pegaram em todos os ensaios desse tipo aprovados por uma comissão de ética ao longo de um ano. Ao cabo de quatro anos, nove em cada dez permaneciam por publicar; ao cabo de oito anos, quatro em cada cinco ainda não tinham sido publicados.

Em medicina, como veremos vezes sem conta, a investigação não é abstracta: relaciona-se directamente com a vida, a morte, o sofrimento e a dor. Devido a cada um desses estudos não publicados, estamos potencialmente expostos, desnecessariamente, a outra TGN1412.

Nem uma notícia enorme, divulgada internacionalmente, com imagens horríveis de jovens exibindo pés e mãos enegrecidos em camas de hospital, foi suficiente para desencadear qualquer acção, pois a questão dos dados em falta é demasiado complicada para caber numa frase.

Quando não partilhamos resultados de investigações básicas, como o pequeno estudo pioneiro em humanos, expomos pessoas a riscos desnecessários no futuro. Terá este sido um caso extremo? O problema limitar-se-á a novos medicamentos experimentais em pequenos grupos de participantes em fases iniciais de ensaio? Não.

Na década de 1980, os médicos começaram a receitar antiarrítmicos a todos os doentes que tinham tido um ataque cardíaco.

Esta prática fazia imenso sentido no papel: sabíamos que os antiarrítmicos ajudavam a prevenir ritmos cardíacos anormais; também sabíamos que as pessoas que tinham tido um ataque cardíaco apresentavam maiores probabilidades de ter ritmos cardíacos anormais; também sabíamos que era frequente estes ritmos não serem detectados, diagnosticados e tratados.

Receitar antiarrítmicos a toda a gente que tivesse tido um ataque cardíaco era uma medida simples, sensata e preventiva.

Infelizmente, revelou-se que estávamos errados. Esta prática prescritiva, com a melhor das intenções, baseada nos melhores princípios, matou realmente pessoas.

E, como os ataques cardíacos são muito comuns, matou um grande número de pessoas: bem mais de 100.000 morreram desnecessariamente antes de percebermos que o equilíbrio fino entre benefício e risco era completamente diferente para os doentes que não tinham um ritmo cardíaco comprovadamente anormal.

Teria alguém podido prever isto? Infelizmente, sim. Um ensaio realizado em 1980 testou um novo antiarrítmico, a lorcainida, num pequeno número de homens, menos de uma centena, que tinham tido um ataque cardíaco, para ver se era de alguma utilidade.

Nove em quarenta e oito homens que tomaram lorcainida morreram em comparação com um dos quarenta e sete que tomaram placebo. O medicamento estava nas primeiras fases do seu ciclo de desenvolvimento e, pouco depois deste estudo, foi abandonado por razões comerciais.

Como não estava no mercado, ninguém pensou sequer em publicar o ensaio. Os investigadores partiram do princípio de que se tratava de uma idiossincrasia da sua molécula e não pensaram mais nisso.

Se tivessem publicado o estudo, teríamos sido muito mais cuidadosos no que toca a experimentar outro antiarrítmico em pessoas com ataques cardíacos, e o fenomenal número de óbitos (mais de 100.000 pessoas que morreram prematuramente) teria podido ser travado mais cedo.

Mais de uma década depois, os investigadores publicaram finalmente os resultados, com um mea culpa, reconhecendo os danos que tinham causado por não os terem partilhado mais cedo:

“Quando realizámos o nosso estudo em 1980, pensámos que o aumento da taxa de mortalidade verificada no grupo que estava a tomar lorcainida se devia ao acaso.

O desenvolvimento da lorcainida foi abandonado por razões comerciais, pelo que este estudo nunca foi publicado; esta situação constitui presentemente um bom exemplo de «enviesamento de publicação». Os resultados aqui descritos teriam podido fornecer um aviso prévio de problemas futuros.” [5]

Como veremos noutros artigos, este problema dos dados não publicados está generalizado na medicina e, na verdade, em todo o mundo académico, embora a escala do problema, e os danos que causa, tenham sido documentados sem deixar margem para dúvidas.

Veremos histórias sobre investigação básica do cancro, Tamiflu, medicamentos contra o colesterol, contra a obesidade, antidepressivos e muitos mais, com provas que vão desde os primórdios da medicina até aos dias de hoje, e dados que continuam a ser ocultados, neste preciso momento, sobre fármacos amplamente utilizados que muitos dos leitores terão tomado esta manhã.

Veremos também como os reguladores e os organismos académicos se esquivaram repetidas vezes a abordar o problema.

Como os investigadores usufruem da liberdade de enterrar os resultados que quiserem, os doentes estão expostos a danos a uma escala aterradora, em toda a medicina, desde a investigação à prática clínica. Os médicos podem não ter nenhuma ideia dos verdadeiros efeitos dos tratamentos que prescrevem.

Será que este medicamento resulta melhor ou será que estou apenas privado de metade dos dados? Ninguém sabe. Será que este medicamento dispendioso vale o dinheiro que custa ou terão os dados sido manipulados? Ninguém sabe. Este medicamento matará o doente? Há provas de que é perigoso? Ninguém sabe.

É estranho que esta situação surja na medicina, uma disciplina onde se parte do princípio de que tudo se baseia na evidência e onde a prática clínica do dia-a-dia se entrelaça com a ansiedade médico-legal.

Num dos domínios mais regulados da conduta humana, tirámos os olhos da bola e permitimos que a evidência que orienta a prática fosse poluída e distorcida. Parece inimaginável. Veremos até que ponto este problema é profundo.

Notas:

[1] Eyding D, Leigemann M, Grouven U, Harter M, Kromp M, Kaiser T, et al. «Reboxetine for acute treatment of major depression: systematic review and meta-analysis of published and unpublished placebo and selective serotonin reuptake inhibitor controlled trials». BMJ. 12 de Outubro de 2010; 341: c4737-c4737.

[2] Suntharalingam G, Perry MR, Ward S, Brett SJ, Castello-Cortes A, Bruner MD, et al. «Cytokine storm in a phase 1 trial of the anti-CD28 monoclonal antibody TGN1412». N. Engl. J. Med. 7 de Setembro de 2006; 355(10): 1018-28.

[3] Expert Group on Phase One Clinical Trials: Final report [Internet], 2006 [citado em 5 de Abril de 2012]. Disponível em:

http://www.dh.gov.uk /en/Publicationsandstatistics/Publications/PublicationsPolicyandGuidance/D H_063117

[4] Decullier E, Chan A-W, Chapuis F. «Inadequate Dissemination of Phase I Trials: A Retrospective Cohort Study». PLoSMed. 17 de Fevereiro de 2009; 6(2): el000034.

[5] Cowley AJ, Skene A, Stainer K, Hampton JR. «The effect of lorcai-nide on arrhytmias and survival in patients with acute myocardial infarction: an example of publication bias». International Journal of Cardiology. 1993; 40(2): 161-6. Iain Chalmers foi o primeiro a apresentar a TGN1412 e os antiarrítmicos como exemplos dos danos causados quando os primeiros ensaios individuais não são publicados. São os melhores exemplos deste problema, mas não devemos pensar que são invulgares: os dados quantitativos mostram que são apenas dois entre muitíssimos outros casos do mesmo tipo.

Fontes: Livro: «Farmacêuticas da Treta» de Ben Goldacre - Paradigma da Matrix
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